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‘Andante ma non troppo…’


Eu passo a explicar; Em primeiro lugar, este Giulietta 2.0JTDM-2 com 175cv e caixa de velocidades automática TCT (twin clutch transmission) de 6 velocidades, embrulhado num lindíssimo pacote exterior designado por ‘QV line’, custa ligeiramente acima de 40.000€…  E quando nos avizinhamos destes valores, nomes como VW Golf, vêm incontornavelmente à baila. Neste caso concreto, sob forma de um Golf GTD, equipado com um 2.0TDi 184cv e caixa de velocidades DSG, a custar o mesmo que este Alfa Romeo! Em segundo lugar, porque a própria Alfa Romeo vende o Giulietta equipado com um 1.4 Multiair a gasolina com 170cv, com performances idênticas e que custa menos 8.000€!

Num encontro promovido pela marca no Autódromo do Estoril, ouvi da boca de um responsável por um dos muitos clubes de aficionados o seguinte: ‘Se nunca conduziu um Alfa, então nunca conduziu um automóvel!’

Perante isto, fica bem claro para mim que não será o preço a afastar os potenciais interessados neste modelo, pois não procuram um automóvel, mas sim um Alfa Romeo!

Mas por muito grande que seja a paixão por uma determinada marca, e confesso que também tenho o meu conjunto de ‘preferidos’, não devemos deixar que isso interfira na nossa capacidade de sermos isentos na nossa análise, sob pena de nos tornarmos escravos dos nossos princípios.

Quando me sento ao volante, deparo-me com uma organização estética do tablier que me deixa desorientado com botões mais ou menos espalhados por aqui e acolá para além de que, quando se pedem 40.000€ por um carro, não podem existir plásticos com arestas agrestes como as que encontrei na parte de baixo da consola ou nas bolsas das portas! Apesar desta falha, a montagem está em muito bom plano, pois apesar de contar com jantes de 18 polegadas, a ausência de ruídos parasitas está muito bem conseguida.

A posição de condução pecou por não me agradar a 100%, tendo sentido que o volante, mesmo na posição mais baixa, ficava alto demais e, quando subia o banco para acompanhar, ficava sem conseguir ver o terço superior dos manómetros e mais próximo do tejadilho do que gostaria.

A linha de equipamento ‘QV line’ é a mais desportiva que podemos escolher para este Giulietta. Contamos com uns novos bancos dianteiros em pele e alcântara, com ares de ‘bacquet’, umas lindíssimas jantes de 18 polegadas em tom antracite, puxadores de portas e espelhos exteriores em tom semelhante e acetinado, dupla ponteira de escape e umas generosas maxilas Brembo à frente, pintadas em vermelho.

Quanto ao ‘look’ estamos conversados! Mas será que isso se reflecte de igual forma no comportamento e nas performances?

Rodamos a chave e o 2.0 litros diesel acorda com uma enorme suavidade, mesmo a frio. Caixa em ‘D’ e, para já, selector DNA em ‘Natural’ (existem mais dois modos, o Dynamic e o All weather, mas já lá vamos). Para já, o silêncio a bordo e o conforto da suspensão transportam-me mais para a sensação de estar ao volante um simples hatchback familiar do que propriamente de um pretenso desportivo italiano, o que não é propriamente um problema visto que nem sempre queremos explorar a fundo os 175cv e até os 350 litros de mala hão de dar jeito em alguma altura.

Findo o ritmo de passeio, com consumos que nunca se afastaram muito dos 6.0ltrs/100, chamamos o espírito Alfa a depor e seleccionamos o modo ‘Dynamic’. Antes de arrancar, passo a caixa TCT para o modo manual e giro as passagens de caixa a meu belo prazer através de patilhas colocadas atrás do volante. Uma coisa desde já me conquista, mesmo no regime de corte, a caixa não passa para a relação seguinte e quem manda sou eu… Gosto!

A resposta ao acelerador está agora muito mais rápida e é perceptível a retirada de assistência da direcção, procurando tornar tudo bastante mais comunicativo.

O que não continua nada comunicativo são os travões, pois apesar do nome ‘Brembo’ presente nas maxilas, continuo a achar o tacto do pedal demasiado esponjoso e no primeiro centímetro de curso do pedal, nada acontece… a rever!

Os 175cv disponíveis, aliados a um binário máximo de 350Nm às 1.750rpm, fazem emagrecer os 1.400kg deste Giulietta e permitem-nos despachar os primeiros 100km/h em 7,8s! Os 220km/h de velocidade máxima, não sendo um prodígio face à concorrência, acabam por também não ser escassos… termo que infelizmente não se aplica aos consumos quando optamos por manter o pedal da direita mais junto ao tapete.

Num percurso com uma condução mais empenhada, é possível atrasar a travagem e até trazer a traseira para nos ajudar a colocar o carro na curva, beneficiando à saída de uma boa capacidade de tracção providenciada pelo efeito ‘Q2′, que não é mais do que um autoblocante ‘simulado’, que actua sobre os travões e maximiza a capacidade de tracção da roda com mais aderência.

A caixa TCT, está longe de ser lenta, mas é numa condução mais agressiva que revela as suas insuficiências para as congéneres alemãs. Se travamos forte para uma curva e precisamos de baixar de 4ª para 2ª, não foi só uma vez que acabei por ficar em 3ª, pois a 2ª acabou por ficar perdida no meio do caminho sem saber quando tinha que entrar em cena.

Apesar de serem possíveis andamentos bastante rápidos, senti falta de um certo efeito ‘pele de galinha’…

Este Giulietta segue assim os princípios do típico carro italiano… esteticamente bem conseguido, inspira os seus proprietários na ideologia de que a sua aura Alfa é, por si, argumento sólido e mais do que suficiente para que se ignorem os defeitos e se elevem as suas qualidades ao estatuto de intocáveis!

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