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Analista financeiro é homem e tem idade entre os 25 e 40 anos


Na caracterização socioprofissional, realizada agora pela primeira vez neste relatório, com base nos currículos dos 54 analistas financeiros registados na CMVM, foram analisados não só aspectos como a idade, género e percurso profissional, como, a relação destes aspectos com as recomendações e preços-alvo emitidos.

"A média de idades dos analistas financeiros situa-se nos 33,5 anos", sendo que "cerca de 30% tem uma idade inferior ou igual a 28 anos", refere a CMVM, no relatório anual, que abrange o período entre 1 de Outubro de 2010 e 30 de Setembro do ano passado. "Em termos de género, mais de 2/3 dos analistas são do sexo masculino", correspondendo as analistas a uma percentagem de 31,5%.

Quanto ao percurso académico, todos estes profissionais obtiveram o grau de licenciatura, mais de 90% em ciências económico-empresariais, sendo os restantes formados em ciências exactas como matemática e engenharias. Neste âmbito, a CMVM destaca "a elevada proporção de analistas com pós-graduação e mestrado: cerca de 14,8% obtiveram o MBA e 27,9% concluíram algum dos níveis do CFA".

Experiência média é de 6,6 anos

Relativamente ao percurso profissional, a maioria tem uma experiência "superior a 4,9 anos na atividade de analista financeiro, sendo a média de 6,6 anos", e havendo ainda cerca de  20%  que têm experiência profissional superior a 10 anos".

O mesmo relatório revela ainda que, mais de 60% dos analistas, mudaram de emprego ou função pelo menos duas vezes ao longo da sua carreira. "Todavia, menos de 40% mudaram de entidade empregadora na função de analista financeiro", sendo o tempo médio dos analistas financeiros no mesmo empregador de 5,6 anos.

Quanto aos sectores cobertos por cada analista, a CMVM concluiu que 25,9% dos analistas financeiros concentram a sua  atividade em apenas um sector ou indústria, enquanto que 46,3% dos analistas efectuam a cobertura de empresas pertencentes a três ou mais sectores/indústrias distintas e há ainda 27,0% que "emanam recomendações sobre 6 ou mais títulos cotados na Euronext Lisbon".

Desta análise, a CMVM concluiu que, os analistas que cobrem mais de dois sectores divergem menos do 'consensus' e divulgam preços-alvo que mais divergem dos preços que acabam por se verificar. Estes resultados indiciam que os analistas que cobrem mais sectores – sendo, por isso, menos especializados – se refugiam mais no 'consensus' e acertam menos nas suas previsões".
Perante estas conclusões, a entidade de supervisão refere que parece "ser indesejável que os analistas emitam recomendações para empresas de mais do que dois sectores ou indústrias".

Mulheres são mais certeiras nos preços-alvo

Numa análise à forma como o perfil e as características dos analistas influenciam as recomendações de investimento, este estudo da CMVM conclui que "os analistas financeiros do sexo feminino emitiram uma proporção superior de recomendações e preços-alvo acima do  'consensus', comparativamente aos seus pares do sexo masculino". E que, apesar deste facto, "emitem  mais frequentemente preços-alvo  que são atingidos no término do horizonte temporal", o que "resultará de menores desvios desses preços-alvo em relação ao consensus".

Relativamente ao percurso profssional, os analistas menos experientes "manifestam maior optimismo face ao  'consensus' das recomendações e  simultaneamente  maior proporção de preços-alvo atingidos no término do horizonte temporal. A relação entre a capacidade preditiva ao nível dos preços-alvo e  a experiência aparenta ser negativa, porquanto os analistas mais experientes exibem menor proporção de preços-alvo atingidos", revela o relatório anual da CMVM.

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