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Alvaro Anton Luna (Aberdeen Standard Investments): As três tendências que vão mover os investidores


Uma lição que qualquer profissional de investimentos aprende com a experiência, especialmente em contextos inusitados como o atual, é a importância da disciplina. Não sucumbir às emoções e manter a calma e a racionalidade é um sinal de força e uma qualidade muito apreciável num profissional de investimentos. Curiosamente, todo este discurso se aplica também a uma atividade que, aparentemente, nada tem que ver com investimentos e mercados, as artes marciais. E a razão porque se faz esta comparação é muito simples. Alvaro Anton Luna, responsável pelo mercado português da Aberdeen Standard Investments vê na atual conjuntura uma oportunidade clara para citar aquele que é um dos seus atores favoritos e um mestre do Kung Fu, Bruce Lee, que disse: “Do not pray for an easy life, pray for the strength to endure a difficult one”. Alvaro Anton Luna alerta assim para a necessidade de manter a robustez dos processos e retirar desta situação uma lição de humildade. “O que a atual conjuntura nos faz perceber é o quão delicada é a nossa vida, sociedade e economia, e quanto um ser vivo tão pequeno como o é o vírus afeta facilmente esse equilíbrio”.

Não obstante, o responsável vê a oportunidade na volatilidade via três tendências significativamente reforçadas neste contexto. Por um lado, o apoio dos bancos centrais veio para ficar. “É uma tendência clara e que já vinha da crise anterior. A política ultra-expansionista que nasceu com a Fed e se alastrou aos bancos centrais dos outros países desenvolvidos, é agora também a norma entre os países emergentes e chegou às autoridades fiscais. Especialmente com a pandemia do COVID-19, será de esperar que as taxas de juro na Europa se mantenham negativas, e nos Estados Unidos muito abaixo do passado recente, o que tem gerado e deverá continuar a gerar um movimento muito marcado entre os investidores: a transferência de fundos alocados a dívida pública, o ativo refúgio mais tradicional, para a dívida corporativa, dívida essa que é agora, também, suportada pelos governos e bancos centrais”, comenta o profissional da Aberdeen Standard Investments.

A segunda tendência é também evidente: o investimento responsável ou ESG. Para  Alvaro Anton Luna, este é um tema que está já bastante desenvolvido na Europa, mas que os EUA têm ainda muito caminho a percorrer. Não obstante, não só a procura tem sido crescente, como a própria crise da COVID-19 veio provar o valor das abordagens sustentáveis ao investimento não só no universo de equity, como também no crédito. “Em dois fundos de crédito corporativo equivalentes da nossa entidade gestora,- o Standard Life European Corporate Bond Sustainable and Responsible Investment Fund e o Standard Life European Corporate Bond Fund - por exemplo, a abordagem sustentável apresenta uma performance relativa superior em 50 pontos base à da abordagem tradicional. Porquê? Porque os investidores nesse segmento mais sustentável do mercado são mais focados no longo prazo, mais institucionais, e a própria subclasse de ativos é mais estável e menos volátil do que o crédito corporativo como um todo”. Neste contexto, o profissional não deixa também de referir o importante que é a herança que a Standard Life trouxe para a empresa que resultou da fusão entre a Aberdeen Asset management e a entidade seguradora. “Muita gente não tem a noção, mas a Standard Life era a maior entidade seguradora do Reino Unido antes da fusão, com uma história de séculos a gerir de forma disciplinada e conservadora as poupanças dos britânicos”.

Demografia e longevidade

Por fim, a demografia e longevidade representam a terceira das grandes tendências que o profissional vê marcarem o momento. “Os movimentos impulsionados pela demografia são diversos. Por um lado, no mundo desenvolvido, as pessoas com mais idade vão continuar a impulsionar negócios como o farmacêutico, lazer ou cuidados de saúde, entre outras empresas que providenciam produtos e serviços a pessoas que veem a sua esperança média de vida a crescer. No entanto, também os mercados emergentes contribuem para esta tendência, não só pela mesma lógica de longevidade, como pela sua demografia em geral, com maior natalidade e um contributo crescente para o produto mundial”, explica. E como se usufrui dessa tendência? Para Alvaro Anton Luna as ações de empresas europeias são a melhor forma de capitalizar de forma conservadora nesta demografia emergente, dada a maior proximidade das empresas do Velho Continente com os mercados emergentes.

Obviamente, o responsável pelo mercado português da entidade gestora escocesa não ignora outras tendências como a evolução tecnológica e a robustez do consumo básico, mas estes são temas que são bastante evidentes e se refletem no comportamento dos mercados. Contudo, de todo o universo de oferta da entidade gestora e para refletir na carteira os temas do investimento socialmente responsável, tecnologia, consumo básico e demografia, por todas as razões apontadas, Alvaro Anton Luna destaca uma estratégia de investimento em ações, o Aberdeen Standard SICAV I - European Equity Fund. Por outro lado, para capitalizar na transição natural dos investidores da dívida pública para a dívida corporativa num contexto de taxas baixas por muito tempo, são os já citados Standard Life European Corporate Bond Sustainable and Responsible Investment Fund e o seu irmão mais tradicional Standard Life European Corporate Bond Fund que cumprem, segundo o responsável, esse papel nas carteiras.

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