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Álvaro Antón (Aberdeen Standard): “Reduzimos em cerca de 15%, em média, as nossas comissões de gestão”


Como sobreviver numa indústria flagelada pelo auge da gestão passiva e o regresso da volatilidade nos mercados? A resposta de Álvaro Antón, diretor geral da Aberdeen Standard Investments para a Península Ibérica, para um dos momentos mais complexos para o sector desde há anos, é repensar as noções de transparência e custos. A gestora tem claro que o seu maior desafio é mostrar valor face aos ETFs. O seu contra-ataque foi reduzir as suas comissões de gestão. “Reduzimo-las cerca de 15% em média no último ano e meio, especialmente nas gamas de ações”, conta Antón.

A nova regulação obriga agora as gestoras a serem transparentes com o custo de brokerage; um novo requisito que dificilmente os afeta as mesmas uma vez que o grosso da sua análise é in-house. “O custo dos nossos analistas já estava na nossa conta de P&L”, explica Antón. É um dos segredos da Aberdeen Standard Life: o seu exército de analistas espalhados a nível mundial e com os pés assentes na terra. Conta com cerca de 1.000 “gestores-analistas” atualmente. Isto soma-se à poupança em custos após a fusão, que se traduz em comissões menores para os clientes.

A “nova” Aberdeen Standard Investments

Antón assumiu as rédeas da empresa na Ibéria em maio passado, depois de Ana Guzmán ter assumido novos desafios profissionais. Embora negue grandes alterações no escritório em Madrid, reconhece que introduziu nuances na filosofia com que a equipa trabalha. “É um trabalho muito dinâmico e ativo”, conta. A motivação é essencial para ele. Por isso, descartou uma divisão dos vendas por tipo de clientes. Cada profissional supervisiona tanto clientes institucionais como de retalho. Incluindo o próprio Antón.

Fala com orgulho da gama que pode apresentar aos clientes ibéricos. “São produtos de convicção, com carteiras razoáveis e transparentes (todas as posições dos fundos da Aberdeen estão disponíveis no seu website), cujos gestores visitam frequentemente Portugal e Espanha, e de uma casa sem inducements”.

Face à noção de que é uma casa de emergentes, a gestora remata com dados. Segundo um estudo recente de uma das maiores consultoras em fundos de pensões a nível global, a Aberdeen tem uma das três melhores marcas em ações a nível mundial. E essa será a sua grande aposta para a Península Ibérica: os fundos de smaller companies. Primeiro, porque as empresas de pequena capitalização deixaram de ser atrativas para os brokers pelo que uma equipa de analistas e gestores que têm vindo a cobrir uma empresa durante décadas contribui com muito valor. E segundo, porque os ETFs mal se movem neste nicho. 75% do fluxo mundial está em empresas de grande capitalização.

“Todas as pessoas têm um underweight estrutural para smaller companies”, defende Antón. E é aí que querem entrar com o seu expertise, com fundos que vão desde um enfoque global até aos especializados nos Estados Unidos, Europa, Reino Unido, Ásia ou Japão. “São estratégias menos voláteis do que nós pensamos e mais rentáveis do que parecem”, assegura. Além disso, os seus fundos ainda têm capacidade para crescer sem que isso comprometa o seu universo de investimento.

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