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Algumas boas notícias para a indústria de gestão de ativos


A turbulência registada nos mercados financeiros no primeiro trimestre do ano teve alguns efeitos na indústria europeia de fundos de investimento. O sector, que em 2015 terminou com um volume sob gestão record, teve resgates líquidos de 20.000 milhões, segundo os dados da Broadridge. Os valores, que incluem dados dos ETF e excluem monetários e fundos de fundos, mostram que os dados a vermelho centraram-se, fundamentalmente, nos meses de janeiro e fevereiro, período em que sector teve saídas de quase 50.000 milhões de euros. No entanto, em chapeu_de_chuvamarço a tendência sofreu um volte-face e a indústria captou 30.000 milhões, graças aos fundos de obrigações, sobretudo high yield e dívida emergentes (ver gráfico 1; Fonte: Broadrige).

De facto, a tendência teve uma reviravolta e isso é uma boa notícia para a indústria. A outra boa notícia diz respeito às expectativas de algumas consultoras, como a MackayWilliams, que antecipam que o sector vai fechar 2016 com captações líquidas de 100.000 milhões de euros, principalmente porque “no ambiente atual, o investidor não tem onde ir”, afirmam (ver gráfico 3). Este dinheiro novo, que de acordo com as estimativas irá entrar em estratégias de obrigações, é uma tendência que a consultora reconhece que poderá ser cortada se a Fed subir as taxas de juro em junho (ver gráfico 2).

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Existe, também, outro factor que está a ajudar a indústria: a maior maturidade por parte dos investidores. São cada vez mais conscientes de que a volatilidade é algo inerente ao mercado e aguentam melhor a pressão em períodos de grandes instabilidade. Segundo Sebastián Velasco, diretor geral da Fidelity para a Península Ibérica, esta mudança de mentalidade dos investidores na sua atitude face ao risco é o fenómeno mais importante que a indústria viveu  nos últimos anos. “Durante a volatilidade de agosto passado e do início do ano, a minha expectativa era de que os reembolsos, tanto na Fidelity como no resto do sector, fossem muito maiores do que realmente foram. E, mesmo com meses com captações líquidas negativas, esses valores estiveram muito longe do que verificamos  há cinco anos em condições de mercado similares”.

Na sua opinião, isto deve-se ao facto do investidor entender agora muito melhor, que a volatilidade faz parte do mercado, mas essencialmente todo o trabalho realizado pelos consultores, agentes e gestores comerciais com os seus clientes em informá-los sobre o contexto em que se produzem quedas e a conveniência de não reduzir o seu investimento de forma abrupta.

Outra coisa que os investidores estão a aprender é a mover-se nos mercados. Isto é comprovado pelo facto de, antes da turbulência do mercado, cada vez mais eram utilizadas estratégias alternativas para diversificar as suas carteira. No primeiro trimestre do ano, os fluxos de dinheiro neste tipo de produto alcançou os 10.700 milhões de euros, sendo a categoria que acumulou mais entradas líquidas.

Nesse sentido, os fundos long/short e de retorno absoluto estão a ser o centro das atenções. Três das dez categorias da Lipper que mais captações líquidas tiveram entre janeiro e março encontram-se neste tipo de estratégias: Absolute Return Euro Medium (3.880 milhões), Absolute Return Other (3.490 milhões) e Absolute Return Euro High (3.220 milhões). Segunda Sasha Evers, isto deve-se à alta correlação que atualmente existe entre os ativos de risco. “Historicamente, os investidores utilizavam a dívida pública de alta qualidade para cobrir as suas carteira. Hoje existe um risco assimétrico nesses ativos e os investidores preferem diversificar as suas carteira através de estratégias de retorno absoluto, cuja correlação com os ativos tradicionais é baixa”, explica o diretor geral da BNY Mellon IM para a Península Ibérica. Também são significativos os fluxos líquidos que receberam outros produtos alternativos, como os fundos real estate (2.260 milhões) ou as matérias-primas (1.000 milhões).

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