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“Alerta à tripulação”: Seis perigos do corrente Quantitative Easing


Em termos académicos o Quantitative Easing define-se como um processo de compra de títulos no mercado, com o claro propósito de baixar os custos de empréstimo, seja diretamente, seja indiretamente, ou então fazer crescer o efeito riqueza, com o intuito de estimular a economia real. Mas qual é o verdadeiro significado da existência de um ator de mercado que não está motivado pelos mesmos imperativos de lucro que movem os outros participantes?

Num recente documento a UBS Global AM propôs-se  a falar dos perigos de um Quantitative Easing. Curt Custad, head of global investment solutions da entidade refere que “se o QE se tornar uma ferramenta regular para ser usada pelos políticos em alturas de recessão vemos alguns canais onde os mercados irão estar estruturalmente interrompidos”. O especialista aponta neste sentido seis perigos da continuidade do QE.

1) O QE conduz a decisões não rentáveis

Curt Custad lembra que ao baixarem os custos de financiamento para as empresas a taxa “natural” também baixa, e os investimentos estão encorajados por uma taxa mínima que é demasiado baixa dados os riscos. “Existe por isso o potencial de que se crie uma bolha especulativa de investimento, com os investidores a continuarem a participar com o seu dinheiro, mesmo quando os retornos futuros esperados são baixos”.

2) O QE pode prejudicar a criação de emprego no longo prazo

Ao ser baixado artificialmente o custo do capital vs o custo do trabalho, o QE, pode na verdade, prejudicar o desemprego, com as empresas a mudarem da perspetiva: deixam de contratar e concentram-se nos gastos de capital.

3) O QE aumenta a volatilidade cambial

Como se sabe o QE não foi um programa adotado por todo o tipo de Bancos Centrais, e os que o levaram a cabo não o fizeram simultaneamente. “O timing do programa de QE em cada país individualmente tem tido um enorme impacto nas taxas de câmbio mundiais e, consequentemente, na competitividade relativa desses países no seio da economia global”.

4) O QE distorce os mercados financeiros

Este tem sido um dos argumentos que mais se ouve sobre os programas de flexibilização financeira. “Como os bancos centrais estão a comprar apenas determinadas classes de ativos, eles estão a criar condições estruturais diferentes ou pelo menos mecanismos de determinação de preços distintos em certos ativos comparativamente com outros”, indica. Por causa da “inconsistente aplicação durante diferentes períodos de tempo, globalmente, o QE torna a precisão da valorização de longo prazo dos títulos extremamente difícil”.

5) O QE pode criar bolhas de ativos permanentes

Uma das consequências claras do QE, dizem da UBS, tem sido a supressão da volatilidade global nos ativos de risco. “Punindo a manutenção de cash nas carteiras, as ações globais e o crédito em particular usufruíram de retornos espetaculares”. O cenário descrito fez com que se criassem “métricas de retorno ajustado ao risco que estão excecionalmente elevadas face às perspetivas históricas de longo prazo que são, certamente, muito irrealistas numa perspetiva futura”.

6) O QE acentua as diferenças de riqueza a todos os níveis, na sociedade

Por último, da entidade, salientam que esta distorção é de todas a mais perigosa. Dizem que enquanto quem possui de ativos sem risco beneficia do QE à medida que a economia melhora, os detentores e emissores de obrigações corporativas, ações e outros ativos de risco beneficiam mais cedo e desproporcionalmente. “Enquanto isso, os aforradores e os pensionistas continuarão a ser penalizados.

 

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