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Afinal, quanto vai crescer o PIB?


Em Fevereiro escrevi aqui que se o PIB português crescesse 1,5% em 2016 já nos poderíamos dar por felizes. Na altura, estávamos na discussão do OE 2016 e a estimativa de 1,8% (já revista em baixo desde 2,1% no esboço e desde os 2,4% da campanha eleitoral) afigurava-se otimista. Nas últimas semanas, várias entidades como o Banco de Portugal, a Universidade Católica, FMI, Comissão Europeia e vários bancos internacionais vieram apresentar novas estimativas para o crescimento do PIB em que a variação aponta para 1,3% a 1,5% consoante os casos.

Uma pequena economia como a portuguesa, depende essencialmente da dinâmica dos nossos parceiros comerciais e do ritmo do consumo e do investimento. O consumo está há três meses a desacelerar e o investimento, excetuando as compras de imóveis por parte de investidores internacionais e também de alguns nacionais, não apresenta grande dinâmica. O enquadramento internacional também não está a ajudar com várias revisões em baixa do crescimento do PIB mundial e especialmente das economias emergentes.

Aproximam-se factos relevantes, como a notação de rating de investment grade do país pela DBRS (acho que vai ficar na mesma, eventualmente com mudança do outlook) e a execução orçamental da primeira metade do ano. A Comissão Europeia começa a ver dificuldades no cumprimento das metas do OE e tem solicitado mais medidas de poupança no valor de 1.000 milhões de euros.

As reformas estruturais têm que continuar e tem que haver estabilidade no sistema financeiro e no quadro legislativo e fiscal. Todos os anos, existem mexidas no enquadramento fiscal, o que dificulta a vida das empresas e dos particulares.

Relativamente ao sistema financeiro, o tema do dia é o veículo de crédito mal parado da banca. Independentemente do modelo que vier ser escolhido (italiano, espanhol ou outro), a questão essencial é que haverá sempre risco de impacto negativo sobre os contribuintes, apesar de alguns dizerem que não: começa logo pelo facto de o financiamento do veículo poder vir a ser garantido pelo Estado.

Por outro lado, mesmo que os bancos possam vender parte do crédito mal parado, o valor de venda será de liquidação. Mesmo que os bancos tenham já provisionado essa perda, o encaixe financeiro da venda será reduzido face ao valor nominal da dívida.

Ao desalavancarem a sua carteira de crédito e ao receberem essa liquidez, não há garantia que a mesma seja canalizada diretamente para a economia e contribuir positivamente para o PIB. Para tal, são necessários projetos de investimento credíveis e equilibrados em termos de risco e retorno e que mereçam ser financiados. Caso contrário, daqui a uns anos, estamos novamente a falar no problema do crédito mal parado!

Os escândalos sucessivos no setor bancário têm minado a confiança que é necessária ter no setor. Dada o peso deste na economia, naturalmente esta situação tem prejudicado a evolução do PIB.

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