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Active is: Investir como um otimista racional


TRIBUNA de Hans-Jörg Naumer, Global Head of Global Capital Markets & Thematic Research, Allianz Global Investors (Allianz GI). Comentário patrocinado pela Allianz Global Investors (Allianz GI).

O mundo está a tornar-se um lugar melhor. Os indicadores são unânimes: aumento da esperança média de vida em todos os continentes do planeta, redução da mortalidade infantil e do trabalho infantil, aumento da prosperidade e, de uma forma global, declínio da desigualdade. Onde quer que seja permitido às forças de rutura criativa progredirem, temos todos os motivos para ser otimistas racionais. Mas o que é que isso significa para os investidores e outros atores?

O poder criativo da “Disrupção”: nenhuma outra palavra descreve melhor os tempos que vivemos. Disrupção – a destruição do antigo pelo novo (e melhor), impulsionada por tecnologias assentes em digitalização e inteligência artificial. Porém, os períodos de mudança dramática não são novidade na história da industrialização. Pelo contrário, são uma parte inerente dessa história. Já em 1926, o economista russo Nikolai Kondratiev, que viria a ser assassinado por Stalin, examinou as longas ondas de desenvolvimento tecnológico no seu trabalho “As longas ondas da vida económica”. Posteriormente, os economistas prosseguiram as “ondas de Kondratiev” até à atualidade.

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O mundo está a mudar; mas estará, com isso, também a mudar a nossa abordagem de investimento? Os otimistas racionais devem considerar o seguinte:

1. Investir em ações – investir em ativos tangíveis

A questão mais importante a que os investidores devem responder é: “Se eu seguir o paradigma do otimismo racional, estou também a investir nesse otimismo, nessa transformação?”, “Estarei eu a participar na inovação e na criação de valor?”. Isso significa investir em empresas (por exemplo, através de estratégias de participação) e, portanto, em ativos reais. Certificados de poupança e obrigações do Tesouro não o asseguram.

2. Investir nos motores da mudança

A mudança tecnológica atravessa todos os setores e todas as regiões. Por que não investir igualmente nas empresas que estão a forçar essa mudança e a liderar o caminho na implementação de novas tecnologias?

3. Investir em “temas” em vez de em países e indústrias

O desenvolvimento da prosperidade e o crescimento são uma manifestação de rutura criativa. Os sistemas existentes estão a ser interrompidos e novas e melhores alternativas estão a ser criadas. Essa rutura está a ser sentida em vários países, continentes e indústrias. Não é um pouco antiquado alocar por país e indústria?

Afinal, não existe essa coisa da “indústria de digitalização”. A digitalização impregna todos os setores, separando o trigo do joio. A mudança demográfica é um fenómeno global que, com cronologias regionais diferentes, conduz à queda nas taxas de natalidade e ao envelhecimento das populações. A prosperidade crescente não está confinada a uns quantos felizardos, está a acontecer em todos os lugares onde encontramos mercados livres, um sistema legal e uma concorrência em pleno funcionamento.

A abordagem do investimento de futuro poderia ser “temática” ao invés de por país ou indústria – ou seja, não se concentrando nas indústrias ou regiões a que as empresas pertencem, mas antes se estas se encontram entre os principais beneficiários da mudança.

4. Investir num mundo melhor

O mundo pode estar a melhorar, mas existe ainda um longo caminho a percorrer. O trabalho infantil persiste, as condições de trabalho continuam frágeis em diversos pontos do globo e algumas empresas e países são mal governados. Continua a existir desigualdade, poluição ambiental e uma pegada de carbono humana excessiva... e por aí fora.

Para os investidores, é, por isso, importante investir num mundo melhor. Isso não significa perder lucros. É impressionante ver como, nos últimos anos, os critérios ‘ASG’ (Ambiente, Social e Governo) se tornaram preponderantes nas decisões de investimento. Os critérios ASG são um catálogo crescente e evolutivo dos critérios de investimento que ajudam a direcionar os fundos para investimentos que valorizam a proteção ambiental, as boas condições de trabalho e a boa governança corporativa.

Essa abordagem, usada há muito por investidores institucionais, está igualmente a ganhar força entre os investidores individuais – especialmente devido à tendência de integração dos critérios ASG entre os profissionais/estrategistas de investimento. Os critérios ASG não são mais tidos como uma categoria utilizada para excluir investimentos, mas antes como parte integrante da análise e da seleção de títulos.

Existem inúmeras razões para o ‘otimismo racional’. As coisas estão normalmente melhores do que pensamos.

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