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“Acreditamos que existe mais valor nos mercados accionistas europeus com especial destaque para os mercados periféricos”


Nos fundos que gere (Santander Acções Portugal e Santander Acções América) qual o estilo de investimento que mais adopta? É diferente em cada um dos fundos? 

O meu estilo de gestão baseia-se numa filosofia ‘value’ e aplico-o a todos os fundos que giro.

Prefere 'small and mid caps' ou large caps? 

Do meu ponto de vista acredito que o universo de ‘small and mid caps’ oferece mais valor para o estilo de gestão que aplicamos já que permite-nos capitalizar das ineficiências que existem neste segmento de mercado. Segundo os dados mais recentes existem aproximadamente 2,500 empresas cotadas na Europa, das quais 85% tem uma capitalização bolsista inferior a € 3,000 mn e 68% inferior a € 1,000 mn, o que justifica que estas empresas sejam seguidas por poucos analistas permitindo-nos beneficiar da assimetria de informação existente nestas empresas. Outros factores que justificam a preferência por ‘small and mid caps’ é o menor nível de dívida, maior geração de ‘free cash flows’ (FCF), maior crescimento de ‘earnings per share’ (EPS) e maior probabilidade de estarem envolvidas em processos de fusões e aquisições (M&A).

Nos dois fundos, o processo de análise de empresas e selecção de activos é diferente ou estão na mesma linha? Como é feito?

Nos dois fundos a filosofia ‘value’ para a política de investimento é exactamente a mesma e é uma característica transversal à nossa equipa de gestão na Santander Asset Management. A principal diferença entre os dois fundos prende-se com o nível de detalhe que aplicamos nas análises das empresas. No Santander Acções Portugal desenvolvemos as nossas próprias avaliações para todas as empresas com base no contacto regular com as equipas de gestão. No Santander Acções América, dada a amplitude do universo de investimento, apoiamo-nos mais em ‘research’ desenvolvido por terceiros e que complementamos com a nossa visão de mercado.

Recorre ao uso de derivados? Que percentagem da carteira tem alocada em derivados?

Os únicos derivados que utilizamos na gestão dos fundos são futuros de índice e são utilizados apenas numa óptica de redução do ‘tracking error’ dos fundos. No caso do fundo Santander Acções Portugal a utilização dos futuros do PSI20 é justificada com a especificidade do seu ‘benchmark’ que é composto por três empresas com pesos superiores a 10%, enquanto os fundos estão legalmente impedidos de terem posições que excedam os 10% do seu fundo.

Qual a sua opinião relativamente aos mercados nos quais investe, Portugal e EUA?

Do ponto de vista macro e microeconómico são dois mercados que estão diametralmente opostos. Os EUA com o seu PIB e o EPS do S&P 500 em máximos históricos, enquanto em Portugal o PIB deverá estabilizar no final do ano e com o EPS do PSI20 a começar a iniciar a recuperação desde os mínimos que acreditamos terem sido atingidos em 2012, e a mesma análise aplica-se a quase todos os mercados europeus.  Estes factos justificaram a nossa preferência pelo mercado accionista americano e isso ficou comprovado no diferencial de performance desde os mínimos de 2009 do S&P 500, face tanto ao PSI20 como aos principais mercados accionistas europeus, com excepção para o mercado alemão. Ao longo dos últimos meses temos vindo a alterar progressivamente a nossa visão e actualmente acreditamos que existe mais valor nos mercados accionistas europeus com especial destaque para os mercados periféricos, nomeadamente o mercado Português, que acreditamos estar a oferecer um excelente ponto de entrada para investidores com horizonte de investimento de médio prazo.

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