Acções versus obrigações, para onde vão os investidores europeus?


O esforço dos bancos centrais e entidades reguladoras, no sentido de transmitir a ideia de total empenho na recuperação das economias, tem os primeiros efeitos com os investidores europeus a abandonar a ideia de ruptura da moeda única. Os dados de Setembro sustentam a opção dos investidores por uma maior exposição a activos de risco e não simplesmente em activos defensivos e as tradicionais obrigações.

Os fundos de acções têm entradas líquidas, no mês passado, 1,91 mil milhões de euros, o que, segundo o relatório da Morningstar, significa o final da desconexão entre os investidores de fundos e as rendibilidades oferecidas pelo mercado. Setembro é, desta forma, o primeiro mês positivo desde Fevereiro. Javier Sáenz de Cenzano, da equipa europeia de análise na Morningstar comenta que "a recuperação de entradas de dinheiro nos fundos de acções sugere que os investidores estão a reagir, finalmente, às flutuações da bolsa e ao anúncio por parte do BCE sobre o programa 'Outright Monetary Transaction'.

A categoria Morningstar acções global emergente foi a que se destacou, tendo as maiores captações líquidas do mês de Setembro (1,42 mil milhões de euros) e um total de subscrições líquidas no último trimestre de 1,75 mil milhões de euros. O fundo Aberdeen Global Emerging Markets Equity liderou a categoria com entradas de capital, desde o inicio do ano até final de Setembro, de 1,61 mil milhões de euros. Ainda, nesta categoria de acções, em segundo lugar está a categoria acções grande capitalização estilo valor e em terceiro acções grande capitalização Zona Euro.

A maior gestora do mundo, a BlackRock, registou, em Setembro, um forte aumento de entradas de capital, cerca de 2,9 milhões de euros, sendo as entradas superiores nos fundos de acções do que nos fundos de obrigações. Já a J.P. Morgan A.M. regista o seu primeiro mês positivo, relativamente a subscrições,desde Abril de 2011.

No entanto e, segundo explica Javier Sáenz de Cenzano, "o contínuo apetite por fundos de obrigações em Setembro e as entradas consideráveis, nos últimos meses, nos fundos de obrigações ' high yield' indicam que os mercados ainda estão a distorcidos pela política monetária do BCE e a persistente crise da Zona Euro." Assim, o último trimestre foi, para os fundos de obrigações, o melhor desde 2007, com 15,9 mil milhões de novos activos e 54,24 mil milhões de euros de entradas de capital.

Os fundos de longo prazo receberam 20,87 mil milhões de euros, em Setembro, atingindo um total de 54,14 mil milhões no terceiro trimestre.

Em contrapeso estão os fundos de obrigações europeis diversificados e governamentais do Reino Unido que perderam 689 milhões de euros e 667 milhões de euros, respectivamente, e os fundos de mercado monetário que apresentam saídas líquidas de 18,3 mil milhões de euros, em Setembro, de acordo com o último relátorio da Morningstar.

O Pimco GIS Total Return Bond foi o fundo com mais subscrições líquidas em Setembro (3,2 milhões de euros) enquanto que os resgates abrandaram no maior fundo de obrigações europeu, o Templeton Global Bond (33 mil milhões de euros de activos sob gestão).

Empresas

O Mais Lido