Abrandamento do consumo e do turismo


“Uma progressiva tendência para a moderação do crescimento do consumo observada nos últimos trimestres, a par do previsível enfraquecimento do sector externo devido ao abrandamento do crescimento europeu”, são as razões que o BBVA Research aponta para um abrandamento do crescimento da economia nacional no terceiro trimestre do ano.

Já o crescimento de 0,6% verificado no segundo trimestre, face ao trimestre anterior, surpreendeu em alta e ocorreu em virtude de um aumento do investimento e ao “maior contributo do sector externo”. De facto, as exportações cresceram 2,3% no período em questão, enquanto as importações expandiram 2,0%, proporcionando um contributo líquido positivo para o crescimento da economia portuguesa por parte do sector externo de 0,1% no trimestre. Por outro lado, o consumo das famílias portuguesas apresentou apenas um ligeiro crescimento de 0,1% no segundo trimestre, o que compara com os 0,6% registados no trimestre anterior.

O desemprego continua a tendência de queda progressiva, atingindo níveis de 2002. Os sectores da agricultura, silvicultura e pescas foram os que mais contribuíram para o crescimento do trimestre, seguidos do sector dos serviços. Já na indústria os números mostram a recuperação da queda observada no primeiro trimestre, o que se verificou, sobretudo, devido ao aumento do emprego no sector da construção.

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Terceiro trimestre

Segundo a casa de research do BBVA, “os dados conhecidos do terceiro trimestre do ano apontam para uma moderação do crescimento do PIB português”. Este deverá avançar cerca de 0,3% face ao segundo trimestre. “Entre os fatores subjacentes a este cenário encontra-se o enfraquecimento do sector externo, em consonância com a desaceleração do crescimento na Europa, a presença de riscos protecionistas e o aumento dos preços do petróleo. Isto poderá resultar numa contração das exportações de bens, apesar de sua elevação ter surpreendido no segundo trimestre”, expõem. Por outro lado, o BBVA Research aponta para sinais de desaceleração no sector do turismo: A entrada de turistas fora da época alta estagnou em julho depois de cair em junho de 2018. “Como resultado, as dormidas em hotéis no 2T18 caíram 5,7% t/t (+0,4% 1T18), o que se explica maioritariamente pela diminuição no segmento estrangeiro -6,9% t/t, enquanto as de residentes retrocederam -1,3% t/t”, pode ler-se no relatório.

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Adicionalmente, dão nota de que “a maioria dos indicadores aponta para um possível abrandamento do consumo das famílias”, nomeadamente os dados referentes à taxa de crescimento do emprego, que refletem uma ligeira queda em agosto enquanto a taxa de desemprego se manteve 6,8%. “Além disso, as vendas a retalho caíram novamente em julho -1,0% m/m CVEC (-1,6% m/m jun-18), depois do forte aumento observado em maio (+4,8% m/m), embora continuem a ser maiores face ao mesmo período do ano passado. Por sua vez, a confiança dos consumidores reverteu a tendência positiva observada desde maio de 2017”.

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Crédito

Destaque também para o volume de novas operações de crédito ao consumo das famílias que aumentou, nominalmente, 23,2%, em termos homólogos, em junho de 2017 (22,2% em termos reais). Também as novas operações de crédito a empresas não financeiras aumentaram consideravelmente durante o mês de abril em relação ao mesmo período do ano anterior. “Os créditos de até 1 milhão de euros aumentaram +18,4% a/a, fechando o 2T18 com um crescimento de +9,5% t/t em relação ao trimestre anterior e de +46,6% a/a nas operações superiores a 1 milhão de euros (-5,6%t/t 2T18)”, conclui o relatório.

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