Abenomics em números: os gráficos definitivos


Faz sentido continuar a estar positivo em obrigações japonesas, agora que as Abenomics cumpriram cinco anos de vida? Para Ichiro Kosuge (gestor e responsável da Goldman Sachs AM para o Japão) e para David Townshend (cliente portfolio manager) a resposta é sim e as razões são várias.

Ambos os especialistas apoiam a ideia de que a subida de 141% que o índice Topix registou entre dezembro de 2012 e abril de 2018 se deveu, principalmente, ao crescimento dos lucros empresariais, mais do que pela expansão de múltiplos. Kosuge foca-se no facto de o PER médio do indicador ter subido desde as 13,7 vezes de 2012 para apenas 14,1 vezes registadas em abril deste ano. O ROE duplicou praticamente no mesmo período, de 5,39% de há seis anos para 9,99% de hoje. Para além disso, as empresas nipónicas foram capazes de ganhar margem de lucros, tendo passado de 2,5% para 6,1%.

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O gestor acrescenta um último dado para certificar a boa saúde financeira das empresas japonesas, a evolução do EPS (lucro por ação). Só durante o último ano orçamental (que no Japão termina em março), as empresas japonesas registaram um crescimento de 18%, e o duo de especialistas da Goldman Sachs AM calcula que ainda há margem para um crescimento de 10% no próximo ano orçamental e, provavelmente, no seguinte. “Mais de 60% das empresas nipónicas continuam a ter muito dinheiro nos seus balanços, precisam de investir este dinheiro para continuar a acumular os seus ROE”, explica o gestor. Segundo cálculos da gestora, um aumento do rácio dívida/ebitda de 2,5 a 3 vezes será suficiente para incentivar o ROE de 10% para 12%.

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Kosuge acrescenta uma última observação para estar confiante de que a tendência poderá melhorar ainda mais: o esforço das empresas nipónicas em adaptarem-se às mudanças no Código de Bom Governance que foi implementado pelo governo de Shinzo Abe, e que irá voltar a ser revisto em junho deste ano. Entre as novas exigências estão o aumento do número de executivos independentes no conselho de administração, que passou de duas ou menos pessoas para um terço do Conselho, que os conselhos incluam pelo menos uma mulher e que as empresas forneçam mais transparência na contratação ou demissão dos seus diretores executivos.

Motores renovados de crescimento

O duo de especialistas mostra o seu entusiasmo pela recuperação da economia doméstica japonesa, que está a contribuir para uma tremenda transformação socioeconómica no país. De facto, Townshend explica que a economia japonesa dispõe de motores de crescimento muito característicos que se estão a começar a diferenciar cada vez mais do contexto macro global, como por exemplo, a recuperação do investimento sobre capital próprio (capex): o investimento atual equivale a entre 15% e 20% do PIB japonês e a expectativa da gestora é que cresça outros 10% daqui a um ano.

“Já não há fatores invulgares a promover a económica nipónica. No passado era um mercado mais macro do que micro, no qual o comportamento do yen condicionava todas as empresas, que tinham a mesma estratégia comercial: não assumir riscos e reconstruir os seus balanços. Agora estamos a observar o aumento do capex, fusões e aquisições e outros investimentos para reduzir o excesso de dinheiro nos seus balanços”, explica Townshend.

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O segundo elemento característico é a recuperação do consumo interno, depois de décadas de mentalidade deflacionista. Uma vez mais, trata-se da continuação de uma tendência que já se prolonga há vários anos, embora neste caso os dois especialistas considerem que os sinais de crescimento do consumo vão ser mais claros, graças à recuperação da inflação e ao facto do mercado laboral japonês estar já em pleno emprego e de se estar a registar um crescimento salarial médio de 3% anual.

Existem outras duas tendências que estão a contribuir para o crescimento: o aumento do turismo e os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. No primeiro caso, os especialistas indicam que, face a 20 milhões de visitantes que o país registou em 2015, com um consumo de 3,5 biliões de yenes, para 2020 os valores poderão dobrar, para 40 milhões de visitantes e 8 biliões de yenes em consumo. Quanto aos Jogos, o gestor esclarece que o incentivo vem da construção de infraestruturas, não só vinculadas aos Jogos mas também para um renovação necessária dos serviços públicos.

O especialista para o Japão conclui que estas mudanças representam uma boa notícia para os stock pickers: “Antes, no Japão era melhor investir com gestão passiva, porque todas as empresas se comportavam da mesma forma. Agora o mercado é mais normal e podemos concentrar-nos em comprar as empresas novas e evitar as perdedoras”.

Existe até um argumento adicional para o bom comportamento das ações segundo os especialistas, a sua previsão de que o Banco do Japão (BoJ) mantenha a sua política acomodatícia durante, pelo menos, mais dois anos: “O BoJ vai manter o seu QE mais tempo do que esperamos. Comprometeram-se a manter o programa de compras até que a inflação alcance os 2% e ainda está nos 1%, pelo que pensamos que é uma desculpa para continuar a manter os estímulos e as taxas reais em negativo, obrigando os investidores a comprar ativos de risco”, afirmam. Townshend realça que, embora seja certo que o BoJ tenha reduzido ligeiramente o ritmo de compras nos últimos meses (de 80 a 50 biliões de yenes), “não está a reinvestir o seu QE, mas sim a fazer com que seja mais eficaz: consegue o mesmo efeito com um ritmo cada vez menor de compras”.

Sobre o fundo

O GS Japan Equity Portfolio é o fundo da Goldman Sachs AM que oferece uma exposição diversificada a ações nipónicas, com uma carteira que pode investir em entre 60 e 120 valores (atualmente tem 75) que somam uma combinação de estilos growth e value. A empresa recomenda investir neste produto com um horizonte de investimento de um a três anos. O fundo, classificado com os selos Blockbuster e Consistente Funds People, tem um track record de 22 anos e está pensado para ter uma exposição core ao Japão em carteira.

Para complementar o produto, a empresa lançou há três anos o GS Japan Equity Partners, com uma abordagem um pouco diferente: a carteira está muito mais concentrada em valores com uma tendência eminentemente growth (entre 25 e 40 valores, embora atualmente tenha 27) e a abordagem é mais a longo prazo, com um horizonte de investimento de três a cinco anos.

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