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Abenomics


A implementação de um conjunto de medidas de índole fiscal assentes em programas de obras públicas com recurso a emissão de dívida soberana, a implementação de um programa altamente ambicioso (irresponsável, diriam alguns) de compra de activos por parte do Banco do Japão e o anúncio de uma taxa de inflação de 2% como objectivo a médio prazo (18-24 meses) despoletou movimentos direccionais no Iéne e nos índices de acções japoneses muito rápidos e consistentes. Esta primeira vaga reactiva parece confirmar que a direcção tomada pelas autoridades é a correcta, com várias empresas de referência a apresentarem resultados acima do esperado e com estimativas a serem repetidamente revistas em alta. Alguns indicadores de confiança dos consumidores parecem também indicar uma ligeira melhoria.

Uma abordagem mais sistemática e estruturada de alguns dos problemas que afligem a economia do Japão (deflação enraízada, taxa de poupança elevada, défices recentes da balança comercial) não tem como conclusão óbvia a adopção das medidas implementadas. Concretizando ponto a ponto: Deflação é um síntoma e não o problema, existe excesso de capacidade instalada; o perfil demográfico permite antecipar reduções futuras do número de japoneses na força de trabalho, com a consequente redução dos rendimentos associados a salários e, dada a elevada esperança média de vida, a necessidade de poupanças adicionais para suprir gastos na reforma; a balança comercial tinha vindo a degradar-se lentamente na mesma medida em que várias empresas exportadoras de referência foram deslocalizando produção para outros países (ou para ficar mais perto do cliente final, ou para ter acesso a custos de produção mais baixos), acabando por acelerar para défices sistemáticos após o terramoto de Fukushima e a substituição da energia nuclear por combustíveis fósseis (que têm que ser importados) para a produção de electricidade.

Quer-me parecer que os elogios quase unânimes que as medidas da chamada “Abenomics” tem recebido são altamente precoces. Do ponto de vista Macroeconómico, nem na evolução do comércio externo, nem na evolução no nível de preços é perceptível o contributo positivo que se esperaria. Na prática, tem-se assitido a uma continuação da queda dos termos de troca no comércio internacional do Japão, bem como a manutenção de taxas negativas de variação de preços (mesmo o valor positivo recentemente anunciado do PIB real do primeiro trimestre teve associado um valor do deflactor de -1,2%).

O Iéne a arder vai queimar alguém...

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