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A volta aos emergentes em 360°


Os mercados emergentes voltaram às bocas do mundo, principalmente desde o final do ano passado. Muito embora as últimas semanas tenham voltado a colocar a vermelho as principais bolsas desta região – devido especialmente a factores como a subida das yields do tesouro norte-americano, os sinais de fortalecimento do dólar e ainda a saída dos EUA do acordo com o Irão – pode dizer-se que ignorar o fulgor dos mercados emergentes deixou de fazer sentido.

Consciente disso, a Schroders considera que “daqui em diante é provável que a alocação a mercados emergentes vá aumentar” e, por isso, “deve ser usada uma gestão ativa para se conseguir essa exposição”. Estas foram as primeiras palavras de Alan Ayres, client portfolio manager da entidade, que surgiu na última conferência da casa inglesa em Lisboa para falar sobre “Porquê os mercados emergentes?”.

“Quando olhamos para os mercados de dívida e de ações dos mercados emergentes percebemos que a capitalização de mercado é ainda diminuta. Cerca de 25% do mercado global de ações pertence a mercados emergentes, e cerca de 20% dos mercados globais de dívida pertencem a mercados de dívida emergente”, começou por referir o especialista, colocando ênfase no caminho de crescimento que estes mercados ainda podem fazer. Ignorando facilitismos e abordagens pouco elaboradas, o especialista referiu que o argumento para investir nos mercados emergentes poderia ser apenas “o facto de a representação dos ME estar a crescer no PIB global”.... mas preferiu ir mais longe. “Há que fazer uma análise mais aprofundada, nomeadamente olhar para o profundo alcance dos relatórios de research, compreendendo questões como as proporcionadas pela China”, indicou, referindo que “os MSCIs começaram a incluir as A-shares no benchmark”, factor que nos  conduz  à questão de “como é que a China se pode posicionar no futuro, tanto nos mercados de ações como nos mercados de dívida”. Outro factor a ter debaixo de olho, na opinião do especialista, é a verdadeira percepção “da ligação entre o PIB e o crescimento dos EPS”. Alan explica que “na realidade não existe assim uma ligação tão forte entre ambos, mas o importante é que existam gestores que consigam  perceber bem estes mercados, e que consigam captar algum tipo de crescimento, mesmo que residual”.

Nos mercados emergentes, na opinião do especialista, há também que ter em conta, os factores ESG. “Estes podem ter um papel muito importante em entregar retornos muito interessantes”. No gráfico abaixo, é possível mesmo ver que “as melhores métricas ESG proporcionam os melhores resultados”.

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Dando mais um argumento que apoia o investimento nestes mercados mas através do conhecimento proporcionado pela gestão ativa, Alan Ayres sublinhou que “no mercado de dívida os ETFs não estão a tirar partido de todas as oportunidades já que os benchmarks ainda são muito “fracionados” nas empresas que seguem e nas oportunidades que representam. “A um, três, e cinco anos, muitos dos grandes ETFs deste mercado  ficaram atrás do seu próprio benchmark;  por isso, a gestão ativa faz muito sentido nos mercados emergentes”, resume.

 

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Para falar da resiliência dos mercados emergentes, Craig Botham, Emerging Markets Economist da entidade, começou por enfocar-se na importância das trocas comerciais no crescimento dos mercados emergentes.

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“Como podemos ver no gráfico, os valores de exportações dos mercados emergentes têm uma forte relação com a performance dos EPS do MSCI EM e é  neste ponto que reside a nossa preocupação: as guerras comerciais acabam por ‘matar’ este tipo de relação”, introduziu. Contudo, para o especialista é inegável que “as exportações continuam a ser o motor de crescimento e o grande suporte da história’ dos mercados emergentes”.                                                                                                                          
Guerra comercial entre China e EUA

A inevitável guerra comercial entre a China e os EUA, não será, para Craig Botham, “um grande problema para ambos os países”. Recorda que nos destinos de exportação da China, os EUA representam 2%, enquanto a situação inversa é na mesma medida. No bolo de exportações dos EUA, a China representa também apenas 2%”.  

No entender do profissional, existe sempre a possibilidade de que “as coisas possam ficar mais complicadas, e aí os potenciais prejudicados serão outros países emergentes”. Craigh Botham recorda que a “OCDE tem um indicador que se chama de ‘trade in value added’ que nos poderá dar algumas pistas sobre como esta guerra comercial impactará os mercados emergentes”.

 

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Separar o trigo do joio

Dentro do campo das ações, Alan Ayres ficou responsável por falar das oportunidades que se podem encontrar neste mercado. Aconselhou aos presentes “cuidado” na forma como abordam o mercado, e deixou a ideia de que o essencial para eles é “estrutura” e uma “abordagem disciplinada na avaliação das oportunidades”. No campo destas últimas, o especialista sublinhou que os investidores devem olhar para o crescimento económico cíclico, para as reformas em conjunto com o crescimento económico/recuperação, para o crescimento estrutural  em economias convergentes, para o crescimento estrutural em ‘novas economias’ e para as oportunidades específicas em ações growth, QARP, value, yield e turnaround, pois consideram-se agnósticos quanto a estilos.

Dentro da oportunidade ‘Crescimento económico cíclico’ o especialista apontou por exemplo a Rússia, que “recuperou depois de uma profunda recessão”, com os salários a recuperarem. Nesse sentido, sendo este um mercado em recuperação, faz sentido os investidores olharem para ações do sector do consumo e da banca.  No que toca ao tema “reformas em conjunto com crescimento económico cíclico”, foram lembrados  países como a Coreia e o Brasil. No caso do primeiro, claro beneficiário da globalização, da casa privilegiam uma exposição a ações de IT, automóveis e bancos. No caso do Brasil, a recuperação da moeda e a recuperação da economia de um nível muito baixo dão suporte à exposição a ações do consumo, indústria, IT, telecomunicações ou até bancos.

Guillermo Besaccia, fund manager de dívida de mercados emergentes, deu a sua perspetiva sobre as melhorias e desafios deste mercado, evidenciando a perspetiva de retorno absoluto da casa (Leia em breve em pt.fundspeople.com a entrevista completa ao profissional sobre o fundo Blockbuster Schroder ISF Emerging Markets Debt Absolute Return).Na sua apresentação o profissional realçou aquele que normalmente é o ciclo económico dos mercados emergentes desde 2002. Realçou que “depois de uma crise como a que existiu entre 1998 e 2001, existe um período de crescimento sustentável, como aconteceu depois de 2002, com inflação controlada, e uma competitividade que gera um boom económico nos mercados emergentes”. Este tipo de dinâmica, prosseguiu, “gera um aumento de dívida e um défice da conta corrente elevado, uma fase que chamamos portanto de ‘Blind Run’”. Segue-se portanto, como ilustrado no gráfico abaixo, “uma desvalorização da moeda, um processo de tightening forçado por parte dos Bancos Centrais, e uma saída de fluxos dos mercados emergentes”. Perante este cenário, o profissional assinala que se segue normalmente “um ajuste na economia”: a inflação começa a ceder e a baixar novamente, e de alguma forma o défice da conta corrente ou o comercial reverte-se. “A capacidade dos bancos centrais de começar a baixar taxas, para dar lugar a um ciclo virtuoso, é de novo maior”, elucida.

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Um olhar de dentro da Índia

Tirando partido da parceria que a Schroders tem com a Axis Asset Management,  existente há cinco anos, passou-se à abordagem sobre o tema “Índia”, com a presença de dois profissionais locais.

Jigar Gandhi, India investment specialist, introduziu alguns dos aspetos que suportam o investment case do país. Lembrou que esta, sendo a 7ª maior economia do mundo, está no caminho certo para se tornar a 5ª maior dentro de cinco anos. Entrando nas especificidades do mercado acionista nacional, Jinesh Gopani, destacou uma das nuances mais significativas atualmente no mercado acionista indiano: a Índia é uma terra de empreendedores.  Acredita que pela diversidade do mercado acionista a Índia tem de ser olhada “como um destino de investimento bottom up e não top-down, pois existe uma grande dispersão no retorno das ações”.

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O especialista referiu alguns nomes de empresas indianas – como a Tata Consultancy Services, a Sun Pharma, ou o HDFC Bank – que mostram que o mercado indiano vive precisamente da “mistura” entre large caps, mid caps e small caps. “Todas estas empresas cresceram entre 15% e 20% ano após ano”. Outro dos factores salientados foi a menor intervenção do governo nos negócios, sendo essa nuance “um facilitador na criação de um contexto de mercado propício”. A título de exemplo pode referir-se que a Índia no ranking do World Banks’s Ease of Doing Business Index melhorou da 130ª posição, em 2017, para a 100ª em 2018.

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