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“A tendência é sua amiga; ir contra ela pode ser muito perigoso”


“A tendência é sua amiga”. Este velho proverbio é aquele que leva Muriel Tailhades du Chatelier, directora de investimentos e ‘asset allocation’ na CCR Asset Management, a considerar que as "finanças comportamentais" são uma das melhores maneiras de ter vantagem em alguns mercados que, em muitos casos, não reflectem correctamente os fundamentais. Na boutique francesa, pertencente ao UBS Global Asset Management, têm muito interiorizado a existência de tendências nos mercados, onde empiricamente existe uma tendência de subida de preços em momentos de subidas e de descida em períodos de correcção.

Numa apresentação, em Madrid, a especialista assegura que “ir contra a tendência é muito difícil e pode ser muito perigoso”. Talvez o comportamento registado pelo mercado em 1999 seja o exemplo mais claro disso. “Então, tudo o que era ponto.com sofreu nas bolsas. Sem excepções”, recordou Tailhades du Chatelier. Na sua opinião, o que explica este comportamento é o facto de que um agente de mercado é influenciado pelas actuações de outros operadores e que a ineficiente informação faz com que os investidores não reajam simultaneamente, pelo que os preços se ajustam de maneira gradual, definindo tendências.

A teoria clássica de carteiras desenvolveu-se a partir da crença de que há uma distribuição normal das rendibilidades e teorias sobre equilíbrio racional. As "finanças comportamentais" e a história recente prova outra coisa. "Acreditamos que uma melhor aproximação ao mercado deve ter em conta a possibilidade de eventos extremos, tanto positivos quanto negativos, e desvios durante muito tempo do ponto de equilíbrio”. Desda a entidade recordam que, como disse o economista Keynes, os mercados financeiros podem permanecer irracionais por muito mais tempo do que o investidor solvente…

Por este motivo, a gestão das expectativas dos investidores que optam por este tipo de estratégia é, de acordo com a directora de investimentos da CCR AM, algo muito importante. "O realmente preocupa o cliente é o nível de volatilidade ou o peso de um activo em carteira, mas sim identificar o seu limite de perda.” Proteger a carteira durante os maiores períodos de queda é fundamental. " A flexibilidade na alocação de activos é um aspecto crucial para preservar o capital. A chave para gerar retorno absoluto está em participar em períodos de subida e preservar o capital em períodos de queda, quando as estratégias de 'buy & hold' demonstrarem que não funcionam”.

Conforme explica a especialista, quanto mais incerteza existir nos mercados, maior probabilidade existe na ocorrência de ‘tail risks’. “Contrariamente a outras soluções de investimento, tendemos a reduzir o risco das nossas carteiras em períodos de incerteza e aumentá-lo em condições normais de mercado. Assumimos risco quando é realmente interessante assumi-lo. Quando a volatilidade é alta, o mais correcto será sempre reduzir o risco da carteira”. A maneira como se faz a gestão tem, na sua opinião, um papel muito relevante.

Neste sentido, Tailhades du Chatelier afirma que "os gestores de carteiras tendem a vender as acções que tiveram um bom desempenho e mantêm ou, aumentam o peso das empresas com as quais não obtiveram tanto êxito. É uma forma de actuar incorrecta, mas a realidade é que isto é feito. Algo que é barato pode ver o seu preço desder e ficar ainda mais barato. Rejeitamos este tipo de operativa”. Segundo explica, o pior cenário para este tipo de estratégias é quando existe uma ausência de tendência.É quando a nossa estratégia é mais penalizada: 2011 foi um pesadelo para nós”, garante. Actualmente, onde a gestora verifica uma tendência mais clara é nos Estados Unidos.

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