Tags: Europa | EUA | Japão | Emergentes |

"A segunda metade do ano será um duro teste à resiliência do crescimento global sincronizado"


A segunda metade de 2018 será um duro teste à resiliência do crescimento global sincronizado que temos vindo a assistir até agora, fruto de divergências geopolíticas que podem refrear as dinâmicas do comércio internacional.

Nos EUA, a reforma fiscal começa a dar frutos pelo que é expectável que a actividade económica venha a recuperar algum dinamismo, que aliás, já é sentido neste 2º trimestre. O crescimento dos salários e dos lucros das empresas devem manter a sua tendência reforçando os indicadores de confiança dos agentes económicos que conduzirá a um PIB mais elevado face aos valores observados no princípio do ano.

Na Zona euro alguma deterioração dos índices de confiança e sentimento, juntamente com um quadro político mais exigente poderão pôr em causa os atuais níveis de crescimento. Contudo, as dificuldades de diálogo com os EUA poderão levar a um maior esforço de consolidação do projeto europeu que poderá conhecer avanços importantes em temas como a União Bancária, Fundo Monetário Europeu, Defesa e Imigração.    

Se isolarmos a questão de uma hipotética guerra comercial com os EUA, a China continuará a tirar partido da recuperação do setor industrial e da resiliência apresentada pelo setor imobiliário e abrir o espaço necessário para as autoridades encetarem as reformas estruturais do setor público empresarial e assim reduzir o excesso de capacidade.

No Japão, apesar do estancamento económico dos últimos trimestres e da recente valorização do iene numa economia altamente sensível às exportações, continuamos a pensar que uma política monetária extremamente acomodatícia e estímulos fiscais em curso, aliado a dinâmicas internas tão distintas como o crescimento do turismo, a implementação de boas práticas de corporate governance poderão ser catalisadores  para potenciar o ciclo de investimentos.

As reuniões da FED e do BCE colocaram em evidência que os mesmos estão bastante cómodos na consecução das metas de inflação e que a normalização da política monetária vai continuar. Tanto a FED como o BCE transmitiram mensagens na confiança e solidez da economia o que fez com que o ciclo de subidas de taxas de juro nos EUA mantivesse a trajetória esperada e que o BCE, finalmente, anunciasse os termos do fim do programa de QE.

Neste contexto, a dívida soberana de maior qualidade será um investimento pouco atractivo sendo apenas interessante jogar com os diferenciais entre os EUA e a Alemanha.  No crédito, o binómio rentabilidade risco continua pouco atractivo e também não vemos uma diferença significativa entre Europa e Estados Unidos. A recente valorização do dólar poderá condicionar o desempenho de alguns países emergentes que além disso contam com eleições importantes em países como o México e Brasil. Ao invés, um dos países mais suportados nesta fase parece ser a Rússia, a bonança nos preços do petróleo aliada ao desviar de atenções no foco político internacional poderão proporcionar um bom desempenho desta região.

Em ações, as principais economias e os resultados empresariais apresentam um aspeto saudável, especialmente nos EUA. Na Europa estamos em crer que o processo de normalização do BCE poderá ser um importante sinal para a revalorização do setor financeiro na região. Acreditamos também, que nesta fase os setores cíclicos de âmbito mais doméstico poderão evidenciar um melhor comportamento relativo face a setores que dependem em demasia do comércio externo.

Reiteramos a nossa recomendação no fundo do BBVA Multi-Asset Moderate que é um fundo de âmbito global quer ao nível de classe de ativos quer ao nível de geografias que procura tirar partido das temáticas e tendências da economia.

Profissionais
Empresas

Notícias relacionadas

Hump day!

Rui Nápoles, da Montepio Gestão de Activos, identifica os maiores riscos que os investidores enfretam depois de ultrapassados uns primeiros seis meses do ano "surpreendentes, inexcedíveis e extasiantes".

Anterior 1 2 Siguiente