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"A rendibilidade é importante, mas também o é o risco associado a esse retorno"


"Manter a exposição ao mercado de acções da Zona Euro não corresponde a um investimento no PIB do país. Trata-se de um investimento em empresas que são capazes de crescer graças a uma diversificação dos lucros que lhes permite superar os efeitos da crise da dívida soberana e queda do consumo interno. E, se a selecção de empresas for boa, a estratégia pode ser muito rentável". Assim demonstra Fabio di Giasante com o Pioneer Funds-Euroland Equity, fundo que consegui um rating S&P Capital 'Gold' depois de ter "batido" tanto no curto como a médio-longo prazo o mercado, com um retorno no último ano de 15%, cinco pontos acima do EuroStoxx 50.

Numa entrevista à Funds People, Giasante afirma que "o melhor método para oferecer rendibilidade é através de uma carteira concentrada, formada por empresas nas quais se está plenamente convencido". A carteira do Pioneer Funds-Euroland Equity contempla aproximadamente 40 valores, com um peso por activo entre 1% e 5%. O fundo está estruturado em dois blocos: o primeiro ocupa 70% do total e é composto por empresas com avaliações atractivas e perspectivas favoráveis de crescimento a médio prazo. "Aqui centramo-nos na qualidade, crescimento e valorização. Os restantes 30% corresponde a um aproveitamento de oportunidades existentes na volatilidade do mercado, investindo em valores com forte potencial numa visão de três a seis meses", explica o gestor da Pioneer.

São precisamente estes investimentos tácticos os que, segundo Giasante, explicam boa parte do sucesso da sua estratégia. "O nosso objectivo é investir nas empresas correctas. Para isso, apoiamo-nos numa abordagem 'bottom-up' em que captamos oportunidades onde elas existam", assegura. No processo de selecção, o gestor presta especial atenção ao risco. "Para mitigar o risco, apoiamo-nos numa equipa de analistas que estudam a fundo a empresa e o próprio risco. A rendibilidade que oferece a acção é muito importante, mas também o é o risco associado a esse retorno", indica.

A procura incessante de oportunidades que diz seguir o gestor força-o a ter uma rotação muito alta da carteira, na ordem dos 50%. Com uma carteira que está completamente investida reconhece não manter posições em liquidez, pelo que é obrigado a vender um valor quando encontra uma outra oportunidade. E quando é o momento de desfazer uma posição? Para Giasante, existem três momentos: "quando encontras uma oportunidade melhor, quando uma empresa alcança o seu preço alvo ou quando se considera a decisão anteriormente tomada errónea. Esta é a resposta oficial. A autêntica: quando todo o mundo está a comprar", sentencia o gestor da Pioneer Investments.

O euro não cairá

 

A crise da dívida na Zona Euro não condiciona Fabio di Giasante. "As valorizações que oferece o mercado accionista europeu são muito atractivas porque o mercado já desconta o grande risco de ruptura do euro, cenário que, quanto a nós, não vai acontecer". De facto, Giasante mostra-se muito positivo sobre o futuro. "Os défices que arrastam os periféricos não são piores que os dos EUA ou Reino Unido; o problema são os desequilíbrios que sofram alguns dos estados membros. Não obstante, têm-se feito progressos. O BCE é mais pragmático que o 'Bundesbank' e, pouco a pouco, a Alemanha aproxima-se das teses defendidas por Mario Draghi".

Apesar disso, a incerteza que se concentra sobre a zona euro fará com que o mercado continue volátil, o que na opinião do gestor cria oportunidades. "Investir num valor não é uma decisão que se toma de ânimo leve. Para além de uma exaustiva análise de risco, nunca compro uma acção sem antes de falar com a direcção da empresa. Mantenho contacto com as administrações e direcções das empresas pelo menos duas vezes ao ano. Na nossa visão, conhecer a estratégia das empresas é muito importante, já que se trata de um facto que permite estar muito mais próximo da carteira do fundo. Se se conhece com precisão o tipo de negócio, é muito mais fácil tomar uma decisão, seja num sentido ou noutro".

Com dados na mão, Fabio di Giasante defende que "esta estratégia demonstrou ser capaz de superar o mercado em diferentes momento, batendo o índice de referência ao mesmo tempo que se controla o risco, o que é uma característica que nos diferencia claramente da concorrência". Em 2012, o fundo oferece um retorno de 12,2%, dois pontos acima do mercado. A rendibilidade anualizada, nos últimos três anos, é de 6,4%, face aos 0,9% do EuroStoxx 50.

 

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