A recuperação das ações em perspetiva: foi suficiente para anular o crash de março?


Nas últimas semanas, os mercados de ações duvidaram entre deixar-se levar pelos efeitos positivos que o fim das medidas de confinamento podem ter na recuperação económica e a possibilidade de que novos surtos impliquem uma contração ainda mais profunda que a prevista.

“Estas variações no estado de ânimo refletem que os investidores não dispõem de um roteiro para este contexto financeiro sem precedentes e não albergam demasiada confiança sobre o que o futuro traz”, afirma Paul O’Connor, responsável de multiativos da Janus Henderson.

E de facto, se há uma causa que explica o porquê do rally que se viu nas ações há apenas umas semanas e, que agora parece estar em stand-by, é o impacto de todas as notícias que se vão conhecendo a curto prazo sobre o ânimo de investidores que perante a falta de visibilidade a longo prazo, optam por operar nos prazos mais curtos. “O comportamento de mercado está curioso porque o sentimento é de preocupação, mas o mercado está a subir e isso deve-se à liquidez e à pouca visibilidade que há face à evolução económica a curto prazo. Ninguém sabe o que acontecerá em seis meses. Muitos dos compradores de ações movem-se no curto prazo o que gera instabilidade”, afirma Didier Saint-Georges, membro do comité de investimentos da Carmignac.

No entanto, quando se analisa o comportamento de um mercado no curto prazo, cai-se na tentação de perder a sua evolução não apenas no longo prazo, mas também no ano como um todo. No seu relatório sobre as perspetivas económicas da segunda metade do ano, a gestora HSBC Global AM incluiu um gráfico comparando as quedas que se viram nos mercados entre 19 de fevereiro e 23 março e as subidas registadas entre 23 de março e a conclusão é que em muito poucas ocasiões as segundas conseguiram superar as primeiras. O que deixa a maior parte dos ativos a enfrentar o segundo semestre do ano com perdas anuais (as rentabilidades estão em dólares).

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Em concreto, as únicas exceções são aquelas que protagonizam o ouro, o mercado global de obrigações corporativas e as obrigações globais governamentais ILB (inflation linked securities). No resto o rally não foi suficiente para compensar as abruptas quedas que se viram no auge da crise do coronavírus.

Teremos de esperar para ver como se desenrola o segundo semestre do ano, não apenas em relação ao mercado, mas sobretudo à economia. A este respeito, a recomendação geral é a prudência e incutir nos investidores a necessidade de investir com um horizonte de longo prazo e menos vinculado ao que o curto prazo pode trazer, já que permanecerá volátil e incerto.

"Acreditamos que os investidores que estejam dispostos a absorver a volatilidade no curto prazo serão compensados ​​nos próximos dois anos. A baixa rentabilidade das obrigações soberanas implicou um atrativo maior para as ações em comparação com as obrigações, enquanto a substancial flexibilização das políticas reduziu os tail risks das ações", afirma Joseph Little, estratega global da HSBC Global Asset Management.

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