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A proposta do Novo Banco analisada pela IMGA


Em abril de 2017 conhecia-se mais uma decisão relativamente à tão esperada venda do Novo Banco. O fundo norte-americano Lone Star chegava a acordo com o Banco de Portugal e restantes responsáveis pelo processo, para a aquisição de 75% do capital da instituição. A velha questão colocava-se: o que aconteceria aos obrigacionistas de dívida sénior? Ora, na altura, a melhor hipótese parecia ser a de que os investidores em obrigações sénior do Novo Banco aceitassem a conversão desses instrumentos de dívida em outros, mais subordinados, elegíveis para os cálculos do capital Core Tier 1, num montante total de 500 milhões de euros. 

Três meses volvidos e uma nova proposta aparece relativamente a estes instrumentos da entidade. O Novo Banco, esta terça-feira, lançou uma oferta em cash para a compra de 3 mil milhões de euros de obrigações sénior, referentes a 36 emissões, com maturidades entre 2019 e 2052, no valor nominal global de 8,3 mil milhões de euros. Contas feitas, a proposta representa um desconto global de quase 70% face ao valor nominal, mas com uma nuance a ter em conta: a oferta abarca emissões com maturidades distintas e, por isso, o desconto face ao valor nominal é variável.

Com estes dados em cima da mesa, muitas questões ficam por responder. Será esta a solução mais adequada ou, ainda assim, a conversão configurava melhores resultados? A manutenção do investimento será uma opção com mais valor?

Na opinião da IMGA esta é, pelo menos, “uma solução diferente da que foi sendo vinculada”. Não se trata, prosseguem, “de uma oferta de troca por outros instrumentos de dívida com diferente senioridade, maturidade ou cupão, mas a recompra a preços ligeiramente inferiores ao mercado antes do anúncio da oferta”.

Os dois lados da moeda

Contudo, vantagens e desvantagens podem ser apontadas a esta solução. Benéfico é o facto de se tratar de uma operação “simples”, que permitirá aos credores “fazerem o cash out imediato da posição anulando o risco do emitente”. Do prisma das desvantagens, uma “operação de troca por instrumentos de senioridade inferior com manutenção das expectativas de rendibilidade” poderia ser, segundo a IMGA, “favoravelmente recebida por um perfil mais agressivo de credores”, ou seja, investidores “cuja exposição a Novo Banco neste tipo de instrumentos ainda faz algum sentido”. No campo das desvantagens, a IMGA aponta ainda o facto de “não se vislumbrarem todos os ganhos de capital necessários no imediato, sendo esses ganhos registados ao longo do tempo por uma redução dos juros pagos”.

Quanto a perceber se esta é ou não a melhor solução para completar o processo em causa, da gestora independente entendem que “a melhor solução é a que viabilizar a venda do Novo Banco”. Acrescentam mesmo que se esta “não for bem sucedida será uma enorme contratempo para todos os envolvidos”, já que “foram contratados advisers para a operação e a montagem demorou mais de 3 meses”.

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