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“À procura de investidores responsáveis para uma relação a longo prazo”


A terceira mesa redonda que teve lugar na conferência anual da CMVM abordou mais um tema relativo ao investimento sustentável, desta feita subordinada ao tema da “procura de investidores responsáveis para uma relação a longo prazo”.

Do debate fizeram parte agentes da própria indústria financeira e empresarial, como Cristina Casalinho, CEO da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, Paulo Rodrigues da Silva, CEO da Euronext Portugal e Nandini Sukumar, CEO da World Federation of Exchanges, João W. Meneses, Secretário Geral da BCSD - Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável, mas também dois elementos de uma sociedade de advogados e de uma consultora, no caso André Figueiredo, sócio da PLMJ, e António Correia, partner da PwC.

Neste painel sobre os desafios das finanças sustentáveis para os emitentes, o reporte de informação, em concreto os custos que lhe são inerentes, parece ter sido um dos grandes focos de preocupação apontados pelos presentes. Na newsletter dedicada à conferência, a CMVM recorda por exemplo o testemunho de Cristina Casalinho. “Não deve ser pedido o mesmo escrutínio a um soberano e a uma empresa sobre instrumentos financeiros “verdes”, até porque o emitente soberano é alvo do escrutínio de diversos agentes, tanto a nível nacional como comunitário”. Já António Correia frisou as diferenças de mentalidade “relativamente às áreas de sustentabilidade, nomeadamente no seu significado para as empresas, para os emitentes e para os países, o que também pode influenciar a qualidade e o tipo de reporte”.

Mas que oportunidades podem surgir do desenvolvimento sustentável? Na opinião de João W. Meneses a sustentabilidade constitui essencialmente uma oportunidade para as empresas, e “e não apenas uma questão de conformidade jurídica ou de gestão de riscos”. Embora para Nandini Sukumar seja intuitivo que “um bom governo das sociedades atrai os investidores”, Paulo Rodrigues da Silva alertou para “o facto de serem necessários incentivos reais para materializar esta tendência e alcançar objetivos significativos”. A “pressa excessiva em alcançar resultados” também foi um ponto referido, no caso por André Figueiredo, que avisa que o tema se pode “transformar-se num fardo, nomeadamente por frustração de expetativas”.

O que pensa a audiência?

Na consulta feita diretamente à audiência presente na conferência organizada pela CMVM, algumas conclusões interessantes também devem ser apontadas.

Quando questionados sobre qual o principal “ponto de estrangulamento” na emissão de ativos ESG compliant, a audiência  respondeu em maioria (63%) "a falta de ferramentas adequadas para a medição dos factores ESG". Segue-se o motivo “falta de regulação clara para ser compliant com a temática”, com 35% de votos, ficando reservados apenas 2% a quem apontou "a elevada carga de reporte" como um entrave para a emissão deste tipo de ativos.

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Fonte: CMVM

Quando a consulta enfoca nas grandes oportunidades para os emitentes, existe uma maior dispersão entre as respostas. 49% dos presentes na plateia acreditam que a maior oportunidade subjacente ao tema é a “contribuição para uma sociedade mais sustentável”. Seguem-se, como visível no esquema abaixo, “a melhoria da reputação”, o “aumento da base de investidores”, e a “diminuição do risco financeiro”.

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Fonte: CMVM

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