A partir de que yield das obrigações americanas os investidores vendem ações e compram obrigações?


O ativo mais complicado de gerir atualmente é as obrigações. Todas as gestoras de fundos concordam neste ponto. As yields das obrigações começam a refletir as subidas de taxas que a Reserva Federal dos Estados Unidos tem vindo a implementar e isso traduz-se em muita volatilidade no mercado de obrigações e também no de ações. As obrigações do tesouro americano a dez anos já estão nos 3,2%, nível no qual não se moviam há cinco anos. Tudo aponta para o facto de que as taxas continuarão a subir. A pergunta interessante é… a partir de que nível de yields as obrigações americanas começam a ser suficientemente atrativas para que os investidores de ações vendam ações e comprem obrigações?

Até agora, a Treasury a dez anos estava nos 2% ou em níveis inferiores. Simultaneamente, no mercado de ações americanas, que sobe há dez anos, as empresas norte-americanas têm em média, uma rentabilidade por dividendo de 2%. Isso fazia com que, para o investidor, não fizesse sentido comprar obrigações americanas, já que a bolsa oferecia uma rentabilidade por dividendo superior, estando, além disso, a participar num bull market. No momento em que começamos a ver volatilidade nas ações, uma rentabilidade esperada inferior e taxas de juro que começam a ser mais altas, a questão é saber a partir de que nível as obrigações do tesouro americano a dez anos começam a ser atrativas.

Captura_de_ecra__2018-10-26__a_s_10

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Para responder a esta pergunta, a J.P. Morgan AM analisou qual foi, no passado, o comportamento relativo das ações face às obrigações, incluindo no estudo a evolução das taxas de juro. A linha verde mostra o comportamento relativo das ações face às obrigações. Quando esta sobe, significa que as ações se comportam melhor do que as obrigações e quando cai, as obrigações registam uma evolução mais favorável do que as ações. “A primeira coisa que se verifica é o facto de que, historicamente, o ciclo de subidas de taxas da Fed ter terminado em níveis muito mais elevados do que aqueles a que se assiste atualmente. Nos finais dos anos 90 e no princípio do ano 2000, acabaram nos 6,5%; em 2007, pouco mais de 5%. Hoje estão nos 2,25% e o mercado espera mais três subidas antes que a autoridade monetária faça uma pausa a meados de 2019”, destaca Manuel Arroyo.

A segunda conclusão que o diretor de Estratégia da J.P. Morgan AM para Portugal e Espanha retira deste estudo é que as obrigações não começam a registar um comportamento pior do que as ações no momento da última subida de taxas, tirando um tempo para assimilar o facto da Reserva Federal ter terminado com o ciclo de subidas e começado a baixar as taxas de juro. “Isto significa que, teoricamente, ainda faltariam vários trimestres para o melhor comportamento das ações face às obrigações. As subidas de taxas da autoridade monetária americana irão continuar a afetar negativamente as obrigações e, além disso, sendo um contexto de crescimento económico, tudo aponta para que as ações continuem a comportar-se bem”, indica Arroyo.

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Na opinião do especialista, o mais difícil é compreender se o mercado desta vez se vai comportar de forma diferente pela rentabilidade requerida das obrigações ser mais baixa. “Enquanto antes se esperava uma rentabilidade de 5-6% antes de vender ações para comprar obrigações, nesta ocasião essa rentabilidade esperada ou exigida para fazer a mudança poderá ser inferior do que foi no passado. Na realidade, ninguém sabe. O que aconteceu historicamente, pode não servir agora. Os mercados de obrigações estão tão distorcidos pelos bancos centrais e a situação atual não se pode comparar com ciclos anteriores. Não obstante, continuando a Fed a subir as taxas de juro, acreditamos que "a bolsa pode continuar o seu caminho de crescimento”, conclui.

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