A mudança do Made in China, segundo a UBS


Alexis Freyeisen, especialista de produtos de mercados emergentes na UBS AM fala sobre as perspectivas para a economia chinesa e sobre o processo de investimento do UBS China Opportunity Fund, que obteve a classificação de Consistente Funds People em Portugal em 2018.

Começando pelo cenário macro chinês, Freyeisen assinala que em termos de crescimento económico haverá um abrandamento gradual. “Não se podem manter de forma sustentada taxas de crescimento tão altas. Se pensarmos que a China crescia há uns anos entre 8% e 12%, agora perto de 7% e, se acreditarmos que se dirige para uma economia mais estável e madura, o normal será que em alguns anos passe a crescer entre 3 e 4%”, aponta. Para o especialista de produto, é muito revelador que no seu mais recente plano quinquenal não apresentava um objetivo concreto de crescimento.

Indo mais além no tema, Freyeisen explica que “a forma com vemos a evolução do crescimento económico chinês será essencialmente de uma descida gradual ao longo do tempo”. “Veremos menos crescimento, mas de maior qualidade”, sentencia o especialista. Ou seja, ver-se-á uma evolução de um crescimento baseado na produção massiva de baixo valor acrescentado: “A China impulsionou fortemente a economia mundial na crise financeira, mas agora o governo quer reduzir os excessos de capacidade em sectores de pouca qualidade. Centrar-se-á mais no consumo e em produtos com mais valor acrescentado, com mais investimento em investigação & desenvolvimento e mais educação, que são as chaves para aumentar a produtividade”.

Na sua opinião, esse reequilíbrio para uma economia mais baseada nos serviços já está a acontecer, e vai em boa direção. “A China já não se limita a copiar. Apesar de ser essa a imagem que ainda tem, quer mudá-la, investindo em inovação e tecnologia”, afirma. Assim, o especialista comenta que o “Made In China” está a mudar para segmentos de produtos electrónicos, saúde, etc. “Nos últimos quinze anos, a economia chinesa triplicou o peso gasto em investigação & desenvolvimento sobre o PIB, representando agora 2% do produto, já muito perto da percentagem que se verifica nos EUA. Além disso, é um esforço que está a ser executado tanto pelo sector público como pelo privado. Por exemplo, calcula-se que em três anos o número de robots se aproximará do milhão, o dobro dos EUA”, detalha. O mesmo acontece se olharmos para outras estatísticas, como por exemplo o número de startups: atualmente estão a ser criadas mais de 10.000 empresas por dia na China, enquanto que nos EUA são criadas apenas 2.000 por dia. “Há que ser cauteloso com estes números, mas são bastante indicativos da tendência que se está a seguir”, assinala Freyeisen.

O fundo UBS China Opportunity Fund, gerido em Hong Kong pela equipa liderada por Bin Shi, tem já muitos anos focando naquelas que Freyeisen chama de “sectores e empresas estratégicas”, que são aquelas com um crescimento superior ao do PIB, com poucos problemas de excesso de capacidade e que podem beneficiar das mudanças estruturais da economia chinesa. Estas empresas estão relacionadas com a tecnologia, o consumo e a saúde. “Gostamos da Tencent e da Alibaba. A Tencent começou como uma empresa de jogo, mas transformou-se num ecossistema graças ao Wechat, uma aplicação como o Whatsapp, mas com mais funcionalidades e com um sistema de pagamento móvel incorporado, com mais de 1.000 milhões de utilizadores. A potencialidade de monetizar os dados dos utilizadores é maior que a do Facebook, porque tem mais funcionalidades em virtude das aplicações integradas”, comenta Freyeisen.

Dentro do sector financeiro, a equipa gosta fundamentalmente do sector segurador, em virtude de um grande potencial. De momento tem uma penetração muito baixa, que representa cerca de 2% do PIB, mas está destinado a crescer. “Ping An é uma das empresas mais inovadoras”, indica o especialista.

Dentro do consumo, apostam na temática de “Premium-isation”, a substituição do consumo para bens de maior qualidade. “Também gostamos do sector da educação. TAL Education é um sistema de ensino num país que culturalmente é muito preocupado com a educação. É um tema de investimento muito atrativo. Também o investimento na saúde está a crescer muito, pelo que estamos a investir no sector farmacêutico”, detalha Freyeisen.

O fundo tem uma inclinação para pequenas e médias empresas que podem converter-se em líderes no seu sector. Para descobrir e analisar estas oportunidades, a UBS AM conta com uma equipa de oito analistas concentrados na China, cujo trabalho é complementado com o de mais seis analistas que cobrem a Ásia como um todo.

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