A inteligência emocional, um recurso laboral a subir, também no sector financeiro


Acabou a época em que na procura por emprego a única coisa importante era a formação académica que se tinha recebido ou a experiência que se demonstrava. Nos últimos anos floresceu um novo grupo de qualidades que estão a ganhar peso nas entrevistas de trabalho e que se conhecem como soft skills, que é como quem diz aptidões mais pessoais do que profissionais do candidato em questão. Na Universitat Oberta de Cataluña (UOC) ressaltaram a importância de uma delas, a inteligência emocional, com a ajuda de dois professores especialistas. Reproduzimos parte das suas conclusões, em seguida.

“O funcionamento da equipa depende, em grande medida, da capacidade dos seus membros para gerir as emoções”, refere Edgar Breso, professor colaborador de Estudos de Economia e Empresa da UOC. Com mais de quinze anos de experiência a formar equipas em todo o mundo, constata que “as empresas contratam as pessoas a partir das suas competências técnicas, mas despedem-nas por falta de competências emocionais”. Para este especialista, “a inteligência emocional está a tornar-se numa capacidade laboral importante”.

Um trabalhador com inteligência emocional será uma pessoa “empática” que saberá “entender melhor as necessidades e as condutas dos seus colegas, clientes e provedores, etc.”, explica Breso. E não é só isso, também será “mais competente no momento de processar informação e tomar decisões”, tal como comprovam os estudos realizados no âmbito das neurociências. Acrescenta que não é possível que o cérebro racional e criativo trabalhe em alto rendimento se não estivermos bem emocionalmente”.

Pelo contrário, às pessoas a quem falta esta competência emocional podem acontecer duas coisas: podem gerar mal-estar com elas mesmas, com o risco de sofrer patologias laborais como a síndrome de esgotamento profissional ou burn-out e a desmotivação laboral (consequência proximal), o que lhes causa dificuldades para se promoverem; e podem gerar um clima de trabalho desadequado para maximizar o rendimento da sua equipa (consequência relacional), alerta Breso.

O auge das soft skills

Por sua vez, Mireia Cabero, professora colaboradora de Estudos de Economia e Empresa da UOC, opina que “cada vez dão mais valor às soft skills nos processos de seleção de competências”. “Sabemos que as competências técnicas devem ser acompanhadas das emocionais para poder proporcionar um alto rendimento. Portanto, uma entrevista de trabalho é um pequeno laboratório para corroborar se a pessoa tem a competência emocional que o seu posto de trabalho necessita”.

Nessa mesma linha posiciona-se também Margaret Franklin, CFA, presidente do CFA Institute, que numa entrevista à Funds People sublinha a necessidade de incluir as soft skills no momento de selecionar também perfis financeiros. “As aptidões vão depender do tipo de trabalho, há alguns que podem procurar aptidões mais técnicas, mas têm de ter a habilidade de ter um pensamento crítico, resolução de conflitos, liderança, boa comunicação com os investidores e empatia. Estas são as soft skills que mais procuram hoje em dia. Os profissionais que só contem com aptidões mais técnicas terão de trabalhar nas aptidões pessoais”, afirma.

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