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A integração de fatores de sustentabilidade conflitua com objetivos de maximização de rendibilidade?


Em particular, a integração de fatores de sustentabilidade conflitua com objetivos de maximização de rendibilidade, no curto, médio ou longo prazo? Esta foi uma das questões que a CMVM lançou aos agentes de mercado e associações no Documento de Reflexão e Consulta sobre Finanças Sustentáveis. E a resposta dos inquiridos: Não!

Mais especificativamente, "os participantes consideram que a integração de fatores de sustentabilidade é importante para a criação de valor no médio e longo prazo, não sendo conflituante com os objetivos de maximização de rendibilidade", pode ler-se nas conclusões da CMVM partilhadas no documento com as perguntas e respostas da Consulta.

As entidades que participaram na consulta apresentaram, entre outras, as seguintes razões:

  • Diversos estudos académicos mostram uma correlacão positiva entre a incorporação de fatores ESG na estratégia, na gestão e na atuação das empresas e os retornos financeiros destas no longo prazo (empresas com elevados ratings ESG apresentam custos de capital mais baixos, melhor desempenho do retorno acionista de mercado e também melhor retorno contabilístico)
  • O respeito pela preservação do meio-ambiente e a consciência da dimensão social e ética das decisões tomadas é importante para o desenvolvimento económico.
  • A não integração de fatores ESG poderá elevar o risco reputacional (e de litigação), dado ser desvantajoso para uma empresa ver o seu nome associado a desastres ambientais, condições indignas de trabalho, falta de diversidade e/ou discriminação, corrupção ou outras práticas desonestas.
  • O mercado irá acabar por, naturalmente, exigir uma adaptação e evolução por parte das empresas e dos restantes agentes económicos, mesmo que essa opção possa representar encargos e implicar custos adicionais no curto prazo.
  • Será de esperar que a adaptação das empresas na sua atuação e na criação de produtos leve a que as rentabilidades dos produtos sustentáveis subam para níveis semelhantes aos dos outros produtos.

Porém, a correta integração de fatores de sustentabilidade exige um conjunto de premissas que envolvem circunstâncias potencialmente conflituantes com a maximização de rendibilidade no curto prazo, das quais se salientam as seguintes:

  • Pode gerar custos adicionais, designadamente relacionados com responsabilidades acrescidas de compliance, de divulgação/reporte de informação, alocação de mais recursos a temas cujo retorno não é imediatamente quantificável (como, por exemplo, o robustecimento de boas práticas de governação).
  • Existem aforradores com necessidades e objetivos de mais curto prazo que também deverão ser satisfeitos, requerendo, por esse motivo, algum equilíbrio. Este aspeto é particularmente relevante no caso dos gestores de ativos que agem de modo independente e no exclusivo interesse dos participantes, não devendo existir interferências na sua capacidade de tomar decisões, em prol dos seus clientes, podendo tais influências externas distorcer as características ou condições pré-acordadas do produto/serviço.
  • O curto prazo poderá apresentar maiores desafios, pois a adoção de princípios de exclusão, por exemplo, ou de maior exigência ao nível ESG, pode limitar algumas oportunidades a breve trecho.

A maior ou menor capacidade de conciliar os objetivos do investimento, suportados em critérios ESG, com os objetivos de rendibilidade passará pela adoção de estratégias que visem prazos mais longos em detrimento de comportamentos centrados no lucro rápido. Mas a integração de fatores ESG depende do tipo de negócio da empresa, do alinhamento com a sua estratégia, do impacto pretendido e do horizonte temporal em que se pretende alcançar esse impacto (plano de transição).

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