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A inovação no aconselhamento aos investidores


É inegável que o peso do tempo e recursos despendidos para assegurar o cumprimento de todos os procedimentos exigidos a qualquer entidade de investimento têm vindo a aumentar significativamente. Se estruturas maiores conseguem diluir de algum modo os custos que daí decorrem, entidades mais pequenas e, especificamente, entidades de consultoria para investimento têm uma maior dificuldade em manter as estruturas rentáveis com um nível de AuM à escala do nosso país. Neste contexto, dois profissionais do norte de Portugal criaram uma estrutura de consultoria num formato distinto, que se suporta nos recursos de VITOR_RIBEIRO_FUTURE_PROOF_CFAuma entidade bancária para providenciar consultoria para investimento aos seus clientes. Falamos da Future Proof, uma entidade que nasceu como agente vinculado do Banco Invest e que assegura, desta forma, o “cumprimento rigoroso das questões legais e regulatórias – compliance – com boas infraestruturas tecnológicas e áreas de suporte necessárias”. Quem o diz é Vítor Ribeiro, CFA (à direita), que a par com Luís Silva (à esquerda, em baixo) são os fundadores deste projeto que opera a partir do norte do país. “Este é o caminho mais seguro, o caminho que nos permite ter mais tempo para dedicarmos ao cliente e ao desenvolvimento de ferramentas de análise, de tomada de decisão e acompanhamento”, acrescenta o profissional.

“Mais do que lançar produtos, disponibilizar uma plataforma de acesso a esses produtos ou obter um mandato para gerir património, pensamos que a indústria de wealth management vai evoluir no sentido de uma visão holística do património do cliente, acompanhada da componente digital, transparência e personalização. A nossa abordagem é verdadeiramente orientada LUIS_SILVA_FUTURE_PROOFpara o cliente e para o aconselhamento financeiro. Para nós, cada cliente, família ou organização é único. Cada investidor apresenta múltiplos objetivos, preferências únicas, diferentes níveis de risco ou restrições”, comenta Vítor Ribeiro, CFA. O profissional atesta que na Future Proof não desejam que o cliente entregue o mandato em absoluto, mas sim que definam, em conjunto, “um plano e uma estratégia, e sejam rigorosos no seu cumprimento”. Executam então um planeamento financeiro baseado em objetivos que permite ao investidor definir múltiplos objetivos financeiros ao longo de diferentes horizontes temporais de investimento. “As pessoas olham para os mercados financeiros com desconfiança e como uma matéria densa, envolta em alguma opacidade e complexidade. Do nosso lado, tentaremos simplificar, racionalizar, tornar o investimento um exercício mais terreno sem, no entanto, facilitar na disciplina, rigor e planeamento”.

O comportamento do investidor

As finanças comportamentais estão muito no centro do processo da equipa. Quando questionado sobre o assunto, Vítor Ribeiro, CFA citou Richard Thaler: “I predict that in the not-too-distant future, the term ‘behavioral finance’ will be correctly viewed as a redundant phrase. What other kind of finance is there?”. Com tal filosofia, o profissional esclarece como esta se põe em prática com um exemplo. “Um dos nossos objetivos estratégicos mais imediatos é o desenvolvimento de um questionário proprietário, baseado em ferramentas de data science, que nos permita de forma automatizada obter um grau de conhecimento elevado do investidor ao nível cognitivo e emocional, nomeadamente os seus padrões de comportamento e vieses mais comuns. O algoritmo que estamos a desenvolver compreende secções com questões demográficas, pessoais, sociais, experiência e conhecimentos financeiros, profissionais, patrimoniais e comportamentais”.

Orientação fintech

Como já começa a ser evidente, este projeto nasceu também já com uma grande orientação fintech. “Para nós, uma fintech implica inovação tecnológica nos serviços financeiros para desenvolver novos modelos de negócio, aplicações ou processos. E é nisso que estamos a trabalhar”. Os profissionais da Future Proof defendem um modelo de consultoria com uma “forte componente tecnológica, ferramentas de data science, focado no serviço, orientado para a análise integrada do património e centrada no investidor”. “Aplicamos diversas ferramentas de data science desenvolvidas pela comunidade open source, principalmente bibliotecas de visualização, assim como ferramentas desenvolvidas internamente em python. Desde a simples simulação de Monte Carlo à construção de dashboards mais complexos para acompanhamento do portefólio dos clientes. Por outro lado, temos seguido o que de melhor se tem feito em termos de deep learning na criação e simulação de séries temporais financeiras com vista a melhorar a robustez dos nossos modelos. Achamos, por isso, que finanças computacionais fazem parte do ADN da Future Proof”, atesta. 

O cliente alvo é, segundo Vítor Ribeiro, CFA, o investidor particular com um património financeiro superior a 250 mil euros, tipicamente com um perfil de empresário ou quadro superior. “Também estamos a dedicar atenção às startups e respetivos fundadores e colaboradores de topo que se identificam com a nossa filosofia, princípios e compromissos éticos”. Já o universo de investimento é diverso, mas suporta-se na vasta panóplia de produtos de investimento de terceiros disponibilizados nas plataformas do Banco Invest. ETF, fundos índice ou fundos de investimento ativos ocupam as carteiras em função dos objetivos do cliente.

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