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A indústria de gestão de ativos da Europa versus a dos Estados Unidos: algumas semelhanças e importantes diferenças


A tendência de concentração de fluxos em determinadas gestoras acelerou nos Estados Unidos, mas não na Europa. Esta é uma das principais conclusões do relatório elaborado pelo The Boston Consulting Group, com o título Global Asset Management 2017: The innovator’s advantage, que mostra as semelhanças e diferenças que existem entre a indústria de gestão de ativos norte-americana e a europeia. Uma das semelhanças mais significativas diz respeito ao interesse que os investidores têm vindo a demonstrar pelos ETFs e pelos fundos indexados. A maior parte dos fluxos líquidos registados pelo setor estão a ser canalizados através de estratégias de gestão passiva tanto nos Estados Unidos, onde cinco das dez entidades que mais dinheiro atraíram em 2016 comercializavam produtos indexados, como na Europa, onde quatro das dez empresas que mais captaram no ano passado comercializavam ETFs e fundos indexados.

“A importância da escala na gestão passiva significa que os ativos sob gestão estão a concentrar-se num grupo muito pequeno de entidades. Nos Estados Unidos, a Vanguard registou no ano passado entradas líquidas de 276.000 milhões de dólares, mais do dobro do que captou a indústria no seu conjunto (140.000 milhões), o que significa que se excluirmos a Vanguard da equação, a indústria teria registado em 2016 saídas líquidas de 136.000 milhões”, sublinham a partir da consultora americana. Entre as gestoras de ativos que no ano passado registaram entradas de dinheiro, o top 10 captou 83% do total de fluxos, confirmando assim a tendência de concentração que existe no mercado americano e a validade do ditado, que tantas vezes foi referido, de que, nesta indústria, "o vencedor leva tudo". De facto, os dados demonstram que se não leva tudo, leva pelo menos quase tudo.

Nos Estados Unidos, esta tendência de concentração de fluxos está a ter muito menos impacto no que respeita à gestão ativa, onde a percentagem das entradas líquidas absorvidas pelas dez primeiras gestoras de ranking ficou nos 58%. A primeira entidade atraiu 20.000 milhões de dólares, enquanto a décima do ranking apenas captou 4.000 milhões. “São volumes que podem considerar-se pequenos em comparação com os fluxos de entrada que vemos na gestão passiva, tendo em conta que a indústria americana no seu conjunto sofreu saídas líquidas de 300.000 milhões em 2016, tratando-se de entradas líquidas muito significativas para as entidades que conseguiram atraí-las”, indicam a partir da The Boston Consulting Group. Na Europa, no entanto, as coisas não são como nos Estados Unidos. Existem diferenças muito significativas.

Em primeiro lugar, o mercado europeu mostra uma menor tendência para a concentração em comparação com o americano. Segundo a consultora, isto deve-se ao facto de a gestão passiva estar menos avançada no que respeita à sua adoção por parte dos investidores, pois o mercado europeu está mais fragmentado por países e o acesso à distribuição continua a ser um aspeto crucial que explica os volumes de vendas das gestoras. “Em alguns mercados, o grau de acesso é até mais importante do que a rentabilidade obtida pelos fundos de investimento”, afirma. Estas diferenças que existem entre o mercado americano e o europeu têm efeitos muito claros na composição do ranking das dez gestoras que mais fluxos de dinheiro estão a atrair de um e do outro lado do Atlântico.

Se comparado o ranking das dez gestoras que mais dinheiro captaram no ano passado nos Estados Unidos com o ranking a nível europeu, pode-se observar que apenas três entidades – Vanguard, BlackRock e State Street Global Advisors – se repetem, isto graças, entre outras coisas, à forte procura que estão a gerar as suas estratégias de gestão passiva. As que estão assinaladas a verde, na tabela abaixo, correspondem às entidades que em 2016 entraram no top 10.

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As entidades que se encontram nas primeiras posições do ranking contam com pelo menos uma das seguintes três características: uma oferta de gestão passiva sólida, constituem-se como empresas diferentes e com produtos que geram bons resultados; ou mantêm uma relação próxima com os seus clientes institucionais e distribuidores, o que lhes permite conhecer as suas necessidades específicas.

“A situação para a indústria é difícil, mas existem caminhos que permitem alcançar o sucesso. Num ambiente em que o crescimento é incerto nos mercados financeiros, em que há debilidade de entradas líquidas e redução das comissões, torna-se impossível para as gestoras de ativos incrementar os seus ativos sob gestão e a rentabilidade. O êxito está circunscrito às entidades que forem capazes de vencer as restantes através de fundos que ofereçam retornos superiores, soluções estruturais, produtos empacotados e outros elementos de serviço ao cliente”, concluem a partir da gestora.

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