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A indústria de Fundos de Investimento no Brasil (Parte I)


 

Se 2011 foi um ano de grandes incertezas e mudanças na economia global, refletido nas movimentações dos recursos entre as várias categorias de fundos da ANBIMA, 2012 promete também ser um ano de grandes desafios para a indústria de fundos brasileira. A começar do prosseguimento das reduções da SELIC, que poderá chegar a 9% ao ano até final de 2012.

Seguida pelas medidas tomadas pelo Ministério da Fazenda, como, por exemplo, o aumento do IOF, para influenciar a taxa de câmbio, evitando a “excessiva” valorização do Real frente ao dólar, que compromete as exportações brasileiras, em um ambiente internacional recessivo.

Há grandes oportunidades no horizonte, com destaque para a participação dos investidores institucionais associadas à previdência, como as EFPC (Entidades Fechadas de Previdência Complementar), as EAPC (Entidades Abertas de Previdência Complementar), e as seguradoras, que ao todo responderam por 34,4% do património líquido da indústria de fundos em 2011, detalhado no Gráfico 1.

Dadas as dificuldades de gestão do déficit da previdência oficial, que levaram a aprovação pelo Congresso da previdência complementar para os servidores civis da União (FUNPRESP), e também aplica o limite de aposentadoria do INSS para os admitidos após o início de funcionamento do novo regime, os segmentos de fundos dirigidos a investidores ligados a previdência complementar terão um grande potencial de crescimento nas próximas décadas.

Este crescimento virá tanto dos tradicionais fundos de pensão e previdência aberta, já que os poupadores não poderão depender somente da previdência oficial, como também do recém-criado FUNPRESP. O perfil de risco destes investidores, que contempla um longo horizonte de investimento, e baixa necessidade de liquidez, levará grandes quantias de recursos aos fundos de renda fixa, ações, e fundos estruturados, como os de participações (FIP) e imobiliários (FII).

Governança

A estrutura de governança da indústria de fundos brasileira e o arcabouço regulatório contribuem positivamente para o desenvolvimento do mercado e para os investidores. O trabalho conjunto entre a FENAPREVI (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida) e a ANBIMA, que gerou uma nova classificação para os fundos de previdência, tornou mais claro para o mercado os objetivos e riscos envolvidos nestes produtos, que representaram aproximadamente 12% do patrimônio líquido da indústria de fundos em 2011, e possuem grande potencial de crescimento para o futuro. A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) está em constante esforço para melhorar a transparência e facilitar o acesso e comunicação da indústria de fundos para os investidores.

Para 2012 há planejadas revisões e reformas na instrução 409/04, que contemplarão a uniformização dos prospetos dos fundos, para torná-los mais comparáveis entre si, à criação de informe sobre a rentabilidade e despesas dos fundos, para que o investidor tenha uma melhor noção dos gastos dos fundos, e adaptação da carteira de investimento dos fundos aos prazos de resgate, para que haja menor risco de liquidez dos fundos.

As supervisões de mercados realizadas pela ANBIMA resultaram na aplicação de 351 multas objetivas em 2011, uma redução de 14% em relação a 2010, e uma exclusão do quadro de empresas aderentes. Estas iniciativas tomadas pela ANBIMA, juntamente com as da CVM e outras entidades associadas à indústria de fundos, contribuem constantemente para segurança, transparência, divulgação, conformidade, e ética do mercado para os investidores nacionais e internacionais.

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