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A importância do custo na seleção de fundos


A batalha entre a gestão ativa e a gestão passiva está a ser especialmente aguerrida nos EUA, mercado onde os ETFs e os produtos indexados têm conseguido roubar uma grande parte do negócio aos fundos ativos. A existência do S&P 500, considerado por muitos como o índice mais eficiente do mundo, tem feito com que muitos investidores optem por estratégias cuja filosofia se baseia na mera réplica do mesmo. Também tem ajudado o facto de que grandes fortunas, como têm Warren Buffet ou Stuart Lucas, um dos maiores especialistas na gestão estratégica de grandes patrimónios privados, tenham manifestado publicamente a sua preferência pela utilização de estratégias passivas pela importância que – na sua opinião – tem o custo na rentabilidade final gerada pelo investimento. Mas... em que medida, selecionar o produto por um critério de custo pode fazer com que os investidores tenham mais probabilidades de acertar na sua escolha?

Para responder a esta pergunta, a Morningstar realizou o Active/Passive Barometer, que compara as rentabilidades líquidas obtidas pelas gestoras de ações norte-americanas com as geradas por um cabaz representativo de fundos indexados. Na empresa de análise classificam a metodologia empregue como uma forma pragmática de medir o êxito da gestão passiva em estratégias de ações norte-americanas, já que, frequentemente, os fundos de gestão ativa são comparados com os índices, embora na realidade estes últimos não sejam investíveis. A primeira conclusão a que chegam no estudo é que, em termos gerais, os fundos de gestão ativa não conseguem bater as estratégias de gestão passiva, especialmente no longo prazo, e que o seu rácio de mortalidade (seja pelo encerramento do produto ou fusão com outro) é maior.

Outra das conclusões a que chegam é que o fracasso tende a estar positivamente correlacionado com as comissões. Dito de outro modo: é mais provável que os fundos de gestão ativa de maior custo registem piores rentabilidades do que as estratégias passivas. Também a probabilidade de que os produtos de maior custo sejam fechados ou fundidos com outros é maior do que no caso dos fundos indexados, que têm uma maior probabilidade de sobreviver e ser bem sucedidos. Os dados do estudo da Morningstar revelam que, seja qual for a categoria de ações americanas que seja analisada, são esses os produtos que têm maiores probabilidades de bater os produtos de gestão passiva. Por esse motivo, os investidores americanos preferem-nos. Nos EUA, mais de 90% dos fluxos concentram-se no primeiro quartil dos fundos mais baratos.

Os valores são contundentes e quantificam em que percentagem os fundos de gestão ativa de maior custo ficam aquém dos de menor preço a longo prazo. Por exemplo, na categoria de ações norte-americanas de grande capitalização de mercado com estilo blend, a dez anos, 20% dos fundos low cost de gestão ativa conseguem bater os produtos indexados, percentagem que se reduz para metade no caso das estratégias situadas no primeiro quartil em termos de custos (10,7%). Nas categorias value e growth as percentagens são diferentes, mas também refletem que existe praticamente o dobro de probabilidade de acertar se se selecionar um fundo ativo do quartil mais barato do que um do quartil mais caro.

Dentro da categoria US Large Cap Value observa-se como quase metade dos fundos que apresentam um menor custo para os investidores têm conseguido, durante os últimos dez anos, bater as estratégias de gestão passiva, enquanto que no caso dos de maior custo, somente 22% conseguiram. É a categoria onde as probabilidades de que um fundo bata a competição indexada são maiores. A conclusão é clara: “Os investidores teriam melhorado significativamente as suas probabilidades de êxito favorecendo os fundos de menor custo, como mostram as percentagens de sucesso mais elevadas dos fundos de gestão ativa mais baratos. Escolher os produtos que estejam no quartil mais elevado por custo reduz a probabilidades de acertar”, afirmam da Morningstar.

As probabilidades de sucesso mais baixas estão dentro das categorias US Mid Blend e US Large Gorwth, onde somente 5,6% e 8,9% dos fundos de maior custo têm conseguido, nos últimos dez anos, bater os produtos indexados (ver na tabela)

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