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A importância de saber escolher um fundo misto: a diferença entre o melhor e o pior, em máximos de 2015


A última década ficou marcada pela sucessão de crises, desde a do subprime até à crise da dívida europeia passando por diferentes crises geopolíticas (auge do populismo, Brexit, guerra comercial...), mas se estas crises deixaram de se notar muito na economia, o mesmo não aconteceu no bolso dos investidores, já que são poucos os ativos que hoje negoceiam abaixo dos níveis que tinham há dez anos. Para isso contribuíram, as ações que os bancos centrais levaram a cabo com as suas políticas de taxas a 0% e os seus programas de estímulos quantitativos até ao ponto de que durante muito anos as subidas dos mercados de ações eram acompanhadas por subidas também nos mercados de obrigações.

Não obstante, essa época de correlações entre dois tipos de ativos que historicamente se moviam em direções opostas está a chegar ao seu fim à medida que se começa a duvidar de que as políticas monetárias de taxas a 0% tenham a mesma eficácia que tiveram no passado. Um exemplo desse aumento da descorrelação entre os diferentes ativos a que o investidor tem acesso vê-se na última tabela que a J.P. Morgan publicou no seu Guia de Mercados sobre a evolução dos diferentes investimentos durante este ano, já que a diferença no ano entre o investimento mais rentável (REITS) e o menos rentável (matérias primas) alcança os 22 pontos percentuais.

Gráfico 1 - Rentabilidade por classe de ativo e estilo de investimento em divisa local

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Esta divergência nota-se também nas carteiras de fundos e, especialmente nos fundos mistos, que este ano tiveram de adotar uma gestão muito mais ativa no seu objetivo de tirar o máximo rendimento de mercados que cada vez são mais voláteis e não atendem tanto a fundamentais como a outros fatores mais ligados à economia e à geopolítica.

Ao fim e ao cabo, segundo explicam na Fidelity, “investir em fundos multiativos geridos ativamente pode ser uma alternativa útil para alguns investidores, já que oferecem uma diversificação intrínseca nas diferentes classes de ativos e regiões. Estes fundos geralmente são baseados nas rentabilidades estratégicas dos ativos a longo prazo e as ponderações gerem-se taticamente em função das condições previstas. Repartir os investimentos entre os diferentes países também pode ajudar a reduzir as correlações dentro de uma carteira e reduz o efeito dos riscos específicos dos mercados”.

Não obstante, é vital a boa seleção de produto para conseguir esse objetivo, já que um erro na seleção pode ser fatal para carteira como demonstra o facto de que o gap num amplo universo de fundos mistos está em níveis máximos não vistos desde 2015. Em concreto, segundo dados da Morningstar Direct, a diferença entre o fundo misto  mais rentável em euros e o menos rentável em 2019 (se tivermos em conta tanto as categorias defensivas como moderadas e flexíveis) era no fecho de agosto de 27,65 pontos percentuais. Um número superior às observadas no final dos últimos três anos.

Ano GAP entre o melhor e o pior (em pontos percentuais) Ano GAP entre o melhor e o pior (em pontos percentuais)
2019* 27,65 2013 43,57
2018 20 2012 40,76
2017 27,42 2011 29,38
2016 26,56 2010 27,27
2015 31,05 2009 80
2014 16,43    

A gestão ativa no momento da seleção ganha, portanto, cada vez mais importância à medida que aumentam as ineficiências do mercado e, de facto, cada vez são mais os investidores ibéricos que estão dispostos a pagar por uma gestão ativa de qualidade que lhe permita maximizar as rentabilidade e reduzir os riscos na sua carteira. De facto, segundo um estudo recente realizado pela Natixis IM a mais de 9.000 investidores particulares de vários países, 56% dos investidores está disposto a pagar por uma gestão ativa mais cara para lutar contra a volatilidade.

E segundo explica Felipe López Gálvez, analista do Self Bank, “no que diz respeito a fundos de investimento, é nestes momentos de volatilidade quando faz mais sentido o investimento ativo. O gestor de um fundo pode amortecer uma queda generalizada do mercado, os fundos indexados e os ETF não”.

Fonte: Morningstar. Dados de fecho de agosto de 2019. *Dados YTD

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