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A importância da margem de segurança nas ações emergentes


“Quando olhamos para a performance dos mercados emergentes em 2018 vemos que, apesar de negativa, no Captura_de_ecra__2019-02-14__a_s_17quarto trimestre do ano vimos um rápido rebound. Isto é uma demonstração de que quando os investidores estão mais pessimistas, frequentemente, isso pode representar uma oportunidade. Mas o timing nesta classe de ativos pode ser um desafio. Existem drivers muito bons de longo prazo, que justificam estar na classe de ativos, mas os obstáculos e desafios vão sempre existir”. Assim introduz o tema Raheel Altaf, gestor de ações emergentes na Artemis Investment Managers numa conferência com jornalistas europeus na sede da entidade gestora em Londres.

Para o gestor, 2018 foi um ano bastante atípico por um variado número de razões. Entre elas, o mercado caiu e vimos um abrandamento das expectativas de crescimento, mas, o tipo de empresas que foram mais penalizadas não foram, segundo Altaf, as mais usuais em mercados em queda. As empresas de energia proporcionaram uma outperfomance significativa, por um lado, mas também empresas do sector financeiro e utilities se comportaram desta forma. “A característica que estes sectores têm em comum é que são compostos, tipicamente, por empresas que transacionam a valuations bastante baixas. Em alguns casos, as empresas destes sectores transacionavam às valuations mais baixas que alguma vez vimos. E isto é uma situação interessante de observar e reitera a margem de segurança que as empresas mais baratas conferem. Isto faz com que o risco valha a pena, pelo retorno potencial”, comenta.

Mas as particularidades do mercado em 2018 não ficam por aqui. “Outra situação interessante que observámos foi que as empresas tradicionalmente mais defensivas, como as do sector da saúde e consumo básico, não proporcionaram o tipo de proteção que seria de esperar num mercado em queda. Fizeram-no nos mercados desenvolvidos, mas não nos emergentes. Isto aconteceu porque estas empresas tradicionalmente defensivas transacionavam a múltiplos muito mais elevados nos mercados emergentes do que no resto do mundo”, explica o gestor.

Portanto, os sectores defensivos não proporcionaram proteção, mas Raheel Altaf destaca também um outro sector que tem ganho cada vez mais relevância no mundo emergente: a tecnologia. “Temos visto no último par de anos que as ações de tecnologia se tornaram mais e mais populares nos mercados emergentes. Em consequência, estão também a cotar a valuations muito elevadas. Se virmos nem que seja um ligeiro abrandamento nas expectativas, poderemos ver os investidores a apressar-se para a saída”, alerta.

A atratividade da classe de ativos

Mencionadas as particularidades do mercado em 2018 e alguns dos riscos também, o gestor da Artemis não poderia deixar de destacar as razões que fazem das ações de mercados emergentes uma classe de ativos interessante. “Se olharmos para a classe de ativos como um todo, vemos que o sentimento de mercado se refletiu muito bem nas valuations. Quando olhamos para as valuations vemos que, em média, as ações estão a transacionar a cerca de dez vezes os resultados, um nível semelhante ao de 2016. E se olharmos para trás e virmos o que os investidores estavam a dizer na altura, estes diziam que era a oportunidade da década”, exclama Raheel Altaf. “As valuations baixaram, o crescimento abrandou, pelo que eu acredito que podemos dizer que este poderá ser um excelente ponto de entrada para os investidores que têm aguardado para reforçar a sua exposição nos últimos anos”, acrescenta.

Ambiente propício para a seleção de ações

“Em termos da forma como abordamos o mercado, acreditamos que este é um ambiente muito benigno para a seleção de ações individuais”, introduz o gestor. Especificamente, este justifica a afirmação com a grande dispersão que existe entre as ações mais baratas e as mais caras. “No geral, uma elevada dispersão tende a ser uma excelente oportunidade para investidores disciplinados. A recompensa relativa que recebemos quando apostamos nas ações certas é muito maior”.

O gestor também realça o facto de que as ações baratas estão muito mais baratas do que estavam. “Quando olhamos para os mercados asiáticos, por exemplo, vemos que as ações mais baratas não transacionavam a valuations tão baixas como o fazem agora e, em consequência, temos encontrado inúmeras oportunidades”, salienta, concluindo com uma observação categórica. “A última década tem sido difícil para um gestor value. Mas o que aconteceu nos últimos dez anos não é provável que continue no futuro. Estamos convencidos que as ações value proporcionarão uma performance superior”.

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