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A importância da História


Num ambiente marcado por séries de elevada frequência, com dados e informações a processar de forma imediata alterações de preços, os mercados financeiros não reúnem um conjunto adequado de características propícias a uma análise mais pausada e integrada dos tempos que vivemos.

Começando pela Europa, do ponto de vista da coesão política, vários sinais preocupantes evidenciam desgaste das actuais instituições (Comissão Europeia, Parlamento Europeu), com uma pressão gradual de retorno de várias competências para a esfera nacional. O progressivo afastamento do Reino Unido de algumas tomadas de posição, bem como o provável referendo a aferir da sua continuidade na União Europeia é o exemplo mais simbólico. Se nos lembramos que o “verdadeiro” objectivo da constituição da Comunidade Europeia era o de impedir uma nova guerra no seio do continente europeu através da agregação de interesses comuns à França e à Alemanha numa entidade pan-europeia, não é descabido pensar que o enfraquecimento da União Europeia provocará um aumento dos egoísmos nacionais e posterior desagregação do sentimento de pertença a um projecto comum. Em termos de representação face ao exterior, quer do ponto de vista diplomático, quer do ponto de vista económico, a dispersão de interesses e de políticas nacionais tornam menos relevantes intervenções individuais. No entanto, parece-me que o sinal mais negativo tem a ver com a falta de importância atribuída nas intervenções recentes ao facto de que a Europa (com a excepção da ex-Jugoslávia) vive em paz desde meados do século XX, não por um acto divino, mas porque responsáveis políticos diferentes dos actuais (pelo menos em termos de vivência histórica) aceitaram ceder competências nacionais para preservar pontos de concordância comuns.

Na Ásia, tensões crescentes entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, atritos recorrentes entre Japão e China, “desconfiança” de alguns países do sudeste asiático face à China não nos deixam esquecer que o tempo não apaga todas as animosidades do passado.

São tempos interessantes os que vivemos, mas a História é feita pelo Homem e pelas suas circunstâncias.

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