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“A harmonização fiscal na Europa é menos importante do que a criação de condições de igualdade dentro de cada Estado-Membro”


Quais os principais impactos da directive UCITS V? 

A UCITS V abrange duas grandes áreas – depositários e novas regras de remuneração. As disposições relativamente aos depositários replicam, essencialmente, as mesmas regras que já estão em vigor pela AIFMD. O maior impacto desta directiva é a subida de custo nos fundos UCITS, especialmente para empresas mais pequenas que tem um poder de negociação mais limitado. Ainda permanece uma certa incerteza quanto às regras de remuneração, mas uma imposição material sobre a remuneração é susceptível de drenar algum investimento talentoso de fundos UCITS para outro tipo de veículos de investimento.

E AIFMD?

A AIFMD aumenta o custo regulatório de fornecer fundos não UCITS para clientes europeus, como resultado de um regime mais rígido de reporte, requisitos de gestão de risco e rigorosas responsabilidades por parte do depositário. Dado que os fundos de investimento alternativos não são vendidos para clientes de retalho, é questionável se as protecções adicionais justificam os custos mais elevados.

É previsível uma maior deslocalização de capitais entre obrigações e acções?

Verificamos que o dinheiro que entra em fundos de investimento, no total, trata-se de uma realocação de posições em ‘cash’ para acções e não de obrigações para acções. Qualquer movimento nas obrigações terá como consequência um aumento significativo nas ‘yields’.

Quais as classes de activos que considera que terão mais êxito num futuro próximo?

Consideramos que as acções continuarão a gerar um rendimento atractivo este ano.

Pensa que os fluxos de fundos continuarão a aumentar? Em que direcção: fundos “tradicionais” ou ETFs?

Os ETFs ficarão sempre com uma parte dos fluxos de fundos, no entanto a sua quota parou de crescer uma vez que os reguladores levantaram preocupações, em 2012, sobre os riscos dos ETFs com base sintética. Os fundos de investimento tendem a ganhar uma quota desproporcional aquando do aumento do interesse por activos de risco e ao longo deste ano deve notar-se os efeitos desse “empurrão” cíclico.

Relativamente a impostos, considera que uma harmonização fiscal dentro da Europa constitui um factor chave para a criação de iguais oportunidades entre fundos domésticos e internacionais?

Numa perspectiva ideal, todos os fundos UCITS, onde quer que estejam registados, deveriam estar sujeitos às mesmas taxas de impostos em cada país. Assim sendo, a harmonização fiscal na Europa é menos importante do que a criação de condições de igualdade dentro de cada Estado-Membro. 

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