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Fed sobe taxas pela quarta vez em 2018: primeiras reações das gestoras


Tal como já ditava o guião, ontem à noite a Reserva Federal subiu as taxas de juro cerca de 0,25% pela quarta vez este ano, para o intervalo de 2,25-2,50%. Mas o mote da última reunião está nas suas previsões para 2019. O Comité Federal do Mercado Aberto (FOMC) suavizou o seu tom em relação aos próximos meses: para o ano que vem, já só preveem duas subidas.

É uma postura mais dovish em comparação com a reunião anterior, pois o dot plot que reflete as votações de todos os membros do comité previa três subidas. As projeções económicas também foram revistas em baixa. “O senhor Powell é pragmático e reconheceram que estão conscientes do facto de que a economia pode não ser tão positiva como previa o seu prognóstico de crescimento de 2,3% para o próximo ano. Isto indica que a Fed será cautelosa e provavelmente irá evitar um erro de política”, explica Mondher Bettaieb, diretor de crédito corporativo da Vontobel. “Estas apontam para um crescimento moderado, com uma pressão inflacionista moderada, precisamente, de acordo com o objetivo e o início de um mercado laboral menos saudável”, analisa de forma semelhante Patrice Gautry, economista chefe da UBP. “Isto descreve uma desaceleração organizada, o que deverá justificar unicamente subidas de taxas futuras limitadas”.

Mas nem com essa promessa de uma política mais acomodatícia (tudo isso dentro do contexto da normalização) satisfez os mercados. Uma sessão bolsista que arrancou bem encerrou como a pior reação de Wall Street perante uma subida de taxas desde 1994. “Os mercados estão dececionados, esperavam provavelmente mais sinais dovish da Fed”, aponta o especialista da UBP.

“Acredito que a Fed tomou a decisão certa pelos motivos errados”, afirma Ronald Temple, gestor e responsável de ações norte-americanas da Lazard Asset Management. “Com perspetivas de crescimento mais moderadas, a Fed não vê mais além dos movimentos de mercado a curto prazo e não presta a atenção suficiente aos benefícios da gestão da economia sob pressão. O aumento da produtividade laboral e do emprego vai acelerar o crescimento económico. Por outro lado, a inflação de acordo com ou até acima do objetivo da Fed também tem os seus benefícios”, acrescenta.

“Não deve ser a última vez que a Fed surpreende um mercado demasiado dovish, uma vez que a curva ainda mostra que os mercados não acreditam muito nas duas subidas de taxas em 2019”, explica Bart Hordijk, analista da MONEX EUROPE. Os mercados subestimaram consistentemente as subidas de taxas nos últimos anos e poderemos ver uma repetição em 2019, prevê. “Chegada a hora da verdade, será melhor não apostar contra as promessas da Fed”, afirma.

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