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A FED pede paciência antes de uma descida das taxas: as reações das gestoras


Face à impaciência dos mercados, a Reserva Federal mantém a calma. Manteve as taxas de juro estáveis entre 2,25% e 2,5%. Era o que esperava o consenso para esta data, mas a chave está nas previsões para a de julho. Para este ano prevê-se já uma descida de taxas. E mais cedo do que mais tarde. A Fed, pelo contrário, opta por ser paciente. No seu discurso, Jerome Powell insinuou que as taxas se manteriam nos níveis atuais, pelo menos durante 2019.

Da sua mensagem pode-se antever que o banco central vê um contexto no ponto de inflexão. Como recorda Ian Samson, analista de multiativos da Fidelity, Powell pôs de lado a preocupação com a debilidade dos dados de fabricação nos Estados Unidos, o que levou a Reserva Federal a concluir que as perspetivas são menos favoráveis. “Powell, porém, pensa que a suave inflação é transitória, mas agora espera que aumente, ainda que lentamente, em direção ao objetivo. Manifestou que a Fed está a ver correntes cruzadas devido à debilidade externa e à incerteza comercial, o que significa que enquanto o consumo continua a ser forte, a confiança e o investimento empresarial estão a desacelerar”, explica Samson.

Mas, por seu lado, a Fed defendeu que o mercado laboral continua forte e que a economia continua a crescer a um ritmo acelerado. No comunicado oficial o banco central assegura que não há motivos para baixar as taxas de juro rapidamente. “O banco central americano, que não tem pressa dada a forte situação económica, não quer dar sinais do que vai fazer”, analisa Philippe Waechter, economista chefe da Ostrum Asset Management (filial da Natixis Investment Managers). De momento a Fed não tem as mãos atadas. O gráfico deos pontos mostra as taxas estáveis em 2019, uma descida em 2020, e logo outra subida em 2021.

Outros vêm uma descida iminente

Uma prova que de que Powell não se casou nem com as pombas nem com os falcões é a divisão nas análises das gestoras internacionais. Enquanto as anteriormente citadas descartam  - e celebram -  que as taxas se mantenham firmes, outros veem que a porta se abriu para uma descida na segunda metade do ano. É o que defende Markus Allenspach, responsável de análise de obrigações da Julius Baer.

Allenspach convida a olhar com detalhe para o dot plot. Sete dos 17 membros votaram em duas descidas de taxas até ao fim do ano e outro membro votou numa descida. “Noutras palavras, é o mais perto que chegaram para indicar uma descida das taxas nas projeções!”, insiste. Na Monex Europe fazem a mesma interpretação: “O anúncio de Jerome Powell no dia de ontem revelou uma mudança na linguagem da Reserva Federal, onde o sentido de paciência é agora substituído pelo da vigilância”. Rick Rieder, diretor de investimentos de Obrigações Globais em BlackRock, também pensa que isto sugere que podemos assistir a uma descida de taxas de 50 pontos base este mês de julho.

Num único discurso Powell agradou aos mais e aos menos acomodatícios. “A Fed envia a mensagem correta, evitando um easing desnecessário ao mesmo tempo que demonstra aos mercados que está preparada para reagir adequadamente em qualquer momento”, coincide Ron Temple da Lazard Asset Management.

O que acontecerá depois?

O debate está aberto, mas é só uma questão de semanas até que as dúvidas acabem. Mas ainda que haja uma descida na reunião de julho – ou o mais tardar na de setembro -, o que acontecerá depois? As gestoras também se questionam sobre qual será o segundo passo do banco central.

“Apesar de agora parecer muito provável uma descida de taxas no mês que vem, a magnitude dessa descida e o caminho a seguir depois são muito incertos”, afirma Samson. Aaron Anderson, vicepresidente senior de análise da Fisher Investments, opina nessa linha: “Se uma descida de 25 pontos bases fosse a chave para a prosperidade, a economia já estava no seu auge, já que todas as curvas de yields foram reduzidas pelo menos nessa quantidade durante o segundo trimestre. O crescimento constante e a inflação baixa indica que a Fed não tem muito trabalho para fazer”. E Temple concorda. “As descidas de taxas não podem representar o principal risco económico global: a incerteza gerada pela imprevisibilidade política comercial dos Estados Unidos”.

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