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A Fed baixa as taxas e antecipa uma pausa: reações das gestoras internacionais


Cumprindo com as expectativas do mercado, a Reserva Federal baixou as taxas em 0,25% na sua reunião de outubro, até à faixa dos 1,5 – 1,75%- É a terceira descida deste ano, e provavelmente será a última. A Fed deixou antever no seu discurso sinais de uma pausa na saga das descidas, a menos que as perspetivas económicas peçam o contrário. A mensagem chave a atender é precisamente o que falta: no comunicado oficial foi eliminada a referência ao seu “compromisso de atuar para sustentar a expansão”. Pelo contrário, agregaram a promessa de monitorizar os dados e “avaliar o caminho adequado” para as taxas de juro.

Na opinião de Ronald Temple, da Lazard Asset Management, parece provável que o ajuste de metade do ciclo da taxa da Fed tenha chegado ao fim. E Philippe Waechter, economista chefe da Ostrum AM, filial da Natixis IM, coincide: “Disseram que querem fazer uma pausa e minimizaram as expectativas de outra descida este ano”.

Na conferência de imprensa anterior, Jerome Powell avaliou os níveis da política monetária atual como “apropriada” se a economia se mantiver em linha com as suas previsões. Também afirmou que os riscos associados ao Brexit e à guerra comercial deram sinais de melhoria. A descida de taxas acontece no mesmo dia em que os dados de crescimento americano surpreenderam pela positiva. Face aos 1,6% que se esperava, finalmente a economia norte-americana cresceu 1,9% no terceiro trimestre. A surpresa explica-se principalmente pela resiliência do consumidor americano, que responde por 70% do PIB do país.

“Os dados económicos dos EUA foram heterogéneos ultimamente, mas continuam a suportar a ideia de que a economia poderá superar a recessão que representa o abrandamento da atividade industrial mundial”, analisa Vincent Reinhart, economista chefe da Mellon, parte da BNY Mellon Investment Management. Dito isto, este ex trabalhador da Fed interpreta este terceiro corte como um seguro. “Para o caso da casa do comércio mundial acabar por arder”, explica.

Mas há sempre algo por trás das citações chave do banco central. Ainda que tenham descartado voltar a subir as taxas num futuro próximo, a ligeira subida de tom da Fed poderá ser interpretado como uma postura hawkish. Apesar de terem atuado em linha com o consenso quanto ao corte, muitos esperavam que  reafirmassem a mensagem de que “atuaram de forma apropriada”. É um ponto no qual incidem antes da reunião especialistas como François Rimeu, estratega sénior da La Française AM, ou Jonh Bellow, gestor da Western Asset, filial da Legg Mason.

Um ponto crucial serão os dados de inflação que se publiquem esta quinta-feira. O consenso espera que se mantenha nos 1,7%, ou seja, abaixo do objetivo de 2% da Fed. E precisamente por isto, Tim Foster, gestor de fundos de obrigações da Fidelity Internacional, vê que a janela para futuros cortes poderá ser limitada. “É provável que a inflação subjacente anual aumente acima do objetivo no início do próximo ano, impulsionada por fatores que remontam ao início de 2018, por um lado, e à pressão de subida de taxas por outro”, explica. Uma inflação acima do objetivo poderá dificultar os cortes preventivos do próximo ano.

A primeira reação do mercado foi positiva. E isto pode interpretar-se de várias formas. Para Temple, é um sinal de que se esperam mais cortes de taxas no ano que vem, pelo que não se descarta por completo uma recessão.

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