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A febre pelas criptomoedas chega à gestão de ativos: TOBAM lança o primeiro fundo que investe em bitcoins


À medida que o gráfico da bitcoin mostrava uma subida cada vez mais acelerada – ontem uma bitcoin negociava a 9 469.35 dólares -, os agentes da indústria passaram da rejeição da ideia à procura da oportunidade. Assim, a entidade francesa TOBAM (participada da Amundi) acaba de surpreender com o lançamento de um produto pioneiro na Europa: o TOBAM Bitcoin Fund, que nasce com o formato de fundo de investimento alternativao não regulado (AIFMD), e lançado em França.

Segundo indica a TOBAM via comunicado, este produto “permitirá pela primeira vez a investidores institucionais e qualificados ganhar exposição à criptomoeda através de um veículo mais seguro e prático”, visto que o fundo incorporou no seu desenho um enfoque de gestão de risco de forma a mitigar as fases de queda deste ativo, conhecido pela sua elevada volatilidade. “O investimento direto em bitcoins pode ser um desafio em termos operacionais, desde decidir que plataforma se vai utilizar a manter as medidas de segurança apropriadas em termos de custódia e para gerir as mudanças realizadas nos protocolos (conhecidos como hard forks), explica Christophe Roehri, responsável de desenvolvimento de negócios da gestora.  

Da entidade citam como motivos para lançar este produto o crescimento deste mercado em comparação com outras criptomoedas que nasceram como resultado do desenvolvimento da tecnologia blockchain, de tal forma que “a bitcoin tem ganho a maior capitalização de mercado e tem o track record mais longo, para além de ser mais líquido”. Desta forma, admitem que o investimento em bitcoins está exposto “a riscos muito significativos, incluindo um nível muito alto de volatilidade”, embora argumentem que a exposição a este ativo “proporciona o benefício da diversificação”, cuja procura tem sido um dos objetivos da gestora desde que foi fundada pelo matemático Yves Choueifaty.

Importa recordar que a TOBAM é conhecida por desenvolver uma análise proprietária denominada de Anti-Benchmark. Trata-se de um método quantitativo que procura construir a carteira mais diversificada possível evitando as tendências do mercado, com o objetivo de que a carteira se aproxime o máximo possível da fronteira eficiente. Assim, da gestora explicam que têm dedicado os últimos doze anos “a desenvolver sistemas de segurança e capacidades tecnológicas de ponta, com as quais procuram suportar a estrutura e funcionamento do fundo”.

A entidade criou para além disso uma equipa de análise dedicada exclusivamente a criptomoedas que inclui especialistas em computação, engenheiros, investigadores e especialistas em gestão de risco: “A TOBAM acredita que a bitcoin e as criptomoedas em geral têm potencial para se converter em standards duradouros para os mercados financeiros e de poupança”, clarificam.

Desconfiança dos reguladores...

Este lançamento resulta numa surpresa, dados os argumentos anteriores da gestão de ativos no que toca ao desenvolvimento de produtos com exposição ao bitcoin. Para poder explicar bem esta história, é necessário retroceder no tempo ao mês de março, quando os gémeos Winklevoss (empreendedores da internet que fizeram fortuna a partir de investimentos nesta criptomoeda) lançaram nos EUA um ETF que replica o seu comportamento, e que foi rejeitado pela SEC pelas suas dúvidas sobre o ativo subjacente. Não foi o único produto falhado: o regulador norte-americano tem-se mostrado reticente nestes meses em relação a outros produtos guiados por esta mesma ideia, como um ETF sobre futuros da bitcoin desenvolvido por Van Eck.

Esta desconfiança tem sido partilhada pelos reguladores europeus. Sem ir mais longe, o regulador espanhol (CNMV) publicava no passado dia 14 de outubro uma nota informativa na qual se fazia eco de dois comunicados publicados na altura pela Autoridade Europeia de Valores e Mercados (ESMA), com avisos sobre os riscos que comporta o investimento em criptomoedas ou ofertas iniciais de moedas (ICO nas suas siglas em inglês): “Perante a proliferação em alguns países deste tipo de operações, a ESMA estima que os investidores não são conhecedores do elevado risco que estariam a assumir de participar nelas (...) a ESMA avisa os investidores do elevado risco de perder o capital investido neste tipo de ofertas, ao tratar-se geralmente de investimentos muito especulativos e de elevado risco sobre as quais se proporciona uma informação em muitos casos inadequada”. Na verdade, os avisos não podem ser mais claros por parte dos reguladores europeus: “Certas ICOs poderão também entranhar risco de fraude e de branqueamento de capitais

... e competição crescente na indústria

Entretanto, o Chicago Mercantile Exchange (CME) e o Chicago Board Options Exchange (CBOE), os dois grandes criadores de derivados nos EUA, tem entrado em competição para ver qual deles é capaz de lançar o primeiro contrato de futuros sobre a bitcoin nos EUA antes do final do ano, segundo informa a Bolsamanía. Dito isto, ambos os produtos financeiros estariam ainda sujeitos à aprovação de vários trâmites regulatórios por parte da Comissão do Mercado de Futuros dos EUA.

Existe uma última novidade a este nível que mostra como a indústria financeira cada vez está mais interessada por um ativo que tem sido extraordinariamente criticado no passado pela sua falta transparência. A última novidade era publicada pelo diário Wall Street Journal no passado dia 21 de novembro, ao fazer-se eco através de fontes próximas com o assunto de que até a J.P. Morgan estaria a planear entrar em competição, inclusive perante as reticências de Jamie Dimon, CEO da entidade: “A J.P. Morgan está a considerar se proporciona acesso aos seus clientes a um novo produto sobre bitcoin de CME através da sua unidade de brokerage de futuros”.

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