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A extensão do Brexit tranquilizará o mercado? As primeiras reações das gestoras


Não há reunião entre os membros da União Europeia que não se prolongue até altas horas e a desta quarta-feira não foi exceção. Os 27 decidiram acordar com o Reino Unido um prolongamento do Brexit até 31 de outubro, o que é o mesmo que manter a telenovela cujo primeiro capítulo foi escrito há dois anos e meio até ao último trimestre deste ano, pelo menos por agora.

Em princípio a reação do mercado devia ter sido positiva tendo em conta que este novo prolongamento deve reduzir as possibilidades de haver um hard Brexit sem acordo, mas a realidade é que a reação foi morna, o que leva a pensar que o mercado continua à espera que estiquem mais a corda daqui até ao mês de outubro.

“A União Europeia propôs atrasar o Brexit até dia 31 de outubro mas também estendeu a incerteza a respeito de toda esta saga e os mercados financeiros de obrigações odeiam incerteza”, refere David Zahn, responsável de obrigações da Franklin Templeton. Além disso, o especialista não está de acordo com a ideia de que este prolongamento ponha um ponto final à possibilidade de que aconteça um hard Brexit, já que recorda que esta extensão tem de ser aprovada pelo Parlamento britânico.

Já para não falar de que a União Europeia reservou o direito de avaliar como vão os acordos no mês de junho. “Há uma grande possibilidade de que nessa revisão de junho se procure uma ação mais imediata, antes que volte a acontecer uma nova reunião de emergência dos membros da UE no fim do mês de outubro”, afirma Azad Zangana, economista sénior da Schroders, ao mesmo tempo que recorda que o contexto dos próximos meses no Reino Unido, para além do Brexit, continua a ser a incerteza tanto do ponto de vista económico como no que diz respeito à política monetária do Banco de Inglaterra. “A extensão elimina a possibilidade imediata de acontecer um Brexit sem acordo mas não elimina a incerteza que há em torno da economia e dos seus líderes políticos”, afirma David Alexander Meier, economista da Julius Baer.

Os especialistas da Wisdom Tree incidem neste tipo de incerteza: “O prolongamento outorgado pode sempre causar mais detratores a May entre os deputados eurocéticos. A pergunta é agora quanto mais poderá o Reino Unido resistir sob a incerteza do Brexit”. Por sua vez, na ING recordam que o facto de se ampliar a margem de saída até 31 de outubro não implica que se chegue à data com uma resolução para o Brexit, “sobretudo se a primeira ministra for substituída por um líder mais eurocético”, referem e concluem que “se houver um líder mais eurocético é previsível que o Governo trate de renegociar com a União Europeia o tema da fronteira com a Irlanda, ainda que seja muito pouco provável que a Europa ceda nessa matéria. A chave é ver o quão embrulhado May deixa o Brexit para quem a vai substituir antes de se afastar”.

Não obstante, o novo passo em frente que May e o resto dos líderes europeus deram, pode implicar um certo alívio para os mercados, sobretudo para o das divisas, ainda que seja temporário. “Os mercados estão fartos de algo que se tornou um drama constante e do facto do objetivo, o Brexit, estar sempre a ser adiado através de prolongamentos sucessivos. Acredito que os investidores se preocuparam muito com a probabilidade de um Brexit sem acordo, e agora que esta solução foi eliminada a curto prazo, os mercados querem respirar e concentrar-se noutra parte. O facto de o risco de uma mudança de poder e de que Corbyn do Partido Trabalhista ganhe umas possíveis eleições, não afetou os mercados financeiros. Espero que que estas preocupações apareçam nos próximos dias”, refere Ludovic Colin, responsável de obrigações da Vontobel AM.

Continuará...

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