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A evolução do S&P 500 em termos setoriais


Na sequência do meu último artigo em que abordei entre outros aspetos, a grande diferença de performance entre o índice americano de ações S&P 500 e o índice europeu de ações Stoxx 600 e o peso do setor tecnológico em ambos os índices, abordo desta vez a evolução dos diferentes setores que integram o índice S&P 500 e que explica a evolução do índice genérico.

De facto, a evolução é muito diferente entre setores. Os índices setoriais do S&P 500 com uma performance mais favorável em 2020 (até 23/10) respeitam aos setores tecnológicos (Information Technology) e retalho (Consumer Discretionary) com performances de 29,3% e de 26,7% respetivamente.

Em contrapartida, os índices setoriais com as piores performances year to date são o setor da energia (Energy) e o setor financeiro (Financials), com desvalorizações de 49,6% e 18%. O setor industrial apresentou uma desvalorização no mesmo período de 0,3%.

Pela positiva, mas menos exuberantes, estão os índices setoriais de Communication Services (12,7%), Materials (7,5%), Health Care (5,7%), Consumer Staples (3,8%) e Utilities (0,2%).

De acordo com estas performances e atendendo ao peso do setor tecnológico (cerca de 25%), percebe-se a evolução positiva de 7,3% year to date do índice S&P 500 (até 23/10). A subida do índice é determinada fundamentalmente pelas grandes empresas tecnológicas, ou seja, a subida do índice não abarca muitos setores da atividade económica.

E aqui reside a principal diferença relativamente ao índice Stoxx 600 cuja performance year to date é negativa em 12,9% (até 23/10). Estamos a falar de uma diferença de 20% a menos na performance deste índice face à do S&P 500.

Os pacotes de ajuda às famílias e às empresas nos EUA foram-se sucedendo e podem existir mais, enquanto que na Europa se aguarda pela chegada do dinheiro do primeiro pacote aprovado no início do verão. Com a colocação recente de obrigações sociais da União Europeia a 10 e 20 anos (a primeira das quais com uma taxa de juro de colocação negativa), pode ser que o $ comece finalmente a chegar no primeiro trimestre de 2021.

O FMI já veio anunciar previsões menos negativas para o crescimento económico mundial este ano (queda de 4,4% em vez de 4,9% da previsão anterior), mas chamou a atenção para os riscos que poderão materializar-se em volatilidade e recuo mais gravoso das economias.

Vamos ter eleições presidenciais nos EUA a 3 de novembro, mas sinceramente penso que a evolução da pandemia e o surgimento de uma vacina com provas dadas é um fator mais importante e que cria mais impacto para a evolução da economia e da bolsa americana do que o resultado das eleições.

A reação de Trump em caso de derrota tem sido muito falada, embora alguns políticos republicanos já se tenham desmarcado da mesma. Esperemos que ambos os candidatos aceitem os resultados, quaisquer que eles sejam.

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