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A espetacular transformação setorial vivida pelos índices MSCI nos últimos dez anos


A transformação que têm vivido alguns índices MSCI na última década está a ser espetacular. O caso do MSCI World é um bom exemplo. Ao analisar-se a composição atual dos valores de maior peso e ao comparar-se com o de há dez anos, pode observar-se essa transformação em toda a sua dimensão. A mudança foi brutal. Em 2007, o índice estava dominado por grandes empresas dos sectores do petróleo, das finanças e da indústria. Hoje, em contrapartida, as empresas de maior dimensão que ocupam os primeiros lugares do ranking estão relacionadas com o mundo da tecnologia.

“A economia do conhecimento, o comércio digital, está a ganhar impulso e a dar lugar a uma nova geração de empresas globais baseadas na geração de ideias. Trata-se de empresas criativas, dinâmicas e bem conectadas, que utilizam a tecnologia para seu próprio benefício”, explicam a partir da Capital Group. Como resultado disto tudo, a Apple, Alphabet, Microsoft, Facebook e Amazon são, atualmente, as cinco empresas de maior capitalização de mercado do MSCI World. Até há dez anos atrás, apenas a Microsoft aparecia no top 10.

De facto, se compararmos o ranking das dez primeiras posições de 2017 com as de 2007, pode-se perceber que, para além da Microsoft, que é a única que se mantém neste ranking nos últimos 20 anos, apenas outras duas empresas – Johnson & Johnson e Exxon Mobil – conseguiram manter-se no ranking, ainda que com tendências diametralmente opostas. A primeira subiu seis posições, ao passar do décimo para o quarto lugar, enquanto a segunda abandonou o primeiro lugar, ocupado em 2007, para se situar agora na oitava posição.

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Fonte: MCSI e RIMES. As dez principais empresas dos anos 1997 e 2007 a 31 de dezembro do anos correspondente. As de 2017, a 29 de agosto deste ano.

“Os investidores costumavam pensar que as multinacionais são empresas de grande tamanho que pertencem ao setor das matérias-primas ou da indústria pesada, mas estão a aparecer muitos tipos de empresas globais. A internet acabou com as fronteiras reais, o que gerou mudanças no modo como as empresas se organizam e nos produtos que consomem. Pode aceder-se aos produtos com rapidez e os custos de distribuição são reduzidos; o mecanismo de distribuição são os telemóveis ou os tablets. Não é de estranhar que a composição das empresas mais valiosas do mundo por capitalização de mercado tenha mudado de forma espetacular desde 2007”, afirmam da Capital Group.

Esta transformação supõe mais um argumento para os detratores da gestão passiva pois apostas em produtos cuja estratégia seja simplesmente replicar o índice não leva a mais do que comprar êxitos passados e concentrar o investimento naquelas empresas de maior tamanho, um fator que alguns especialistas consideram que contribui para alimentar  bolhas. Hoje, as FAANG (Facebook, Apple, Amazon, Netflix e Google) e as FAMMG (Facebook, Amazon, Apple, Microsoft e Google) supõem 15% da capitalização do S&P 500.

No entanto, as alterações que estão a ocorrer nos índices de ações não limitam só o mercado norte-americano. No mundo emergente, o MSCI Emerging Markets Index também sofreu uma importante transformação na última década. Segundo explica Alexis Freyeisen, gestor de ações emergentes na UBS AM, em 2007, o peso do setor energético no índice rondava os 37%, enquanto a tecnologia e o consumo apenas alcançavam 12%, respetivamente. Hoje a situação é precisamente contrária. A ponderação do setor energético caiu 14%, sendo amplamente superado pelas empresas tecnológicas, cujo peso mais que duplicou (28%), assim como aquelas que estão vinculadas ao consumo, cuja ponderação atualmente ronda os 17%.

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