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A entrada de dinheiro em fundos ISR acelera


Até agora o Investimento Socialmente Responsável era um conceito de que se falava muito, mas no qual se investia pouco. A grande novidade é que este ano as coisas estão a mudar, já que as entradas de dinheiro neste tipo de estratégias está a acelerar. Segundo dados da Morningstar, no primeiro semestre do ano os produtos que seguem critérios ambientais, sociais e de bom governo no momento de fazer a sua alocação de ativos captaram a nível global 8.900 milhões de dólares.

Ainda que continue a ser um volume de entradas relativamente baixo em comparação com os fluxos que recebem as categorias mais tradicionais, o interessante é a tendência. Em primeiro lugar, porque representa uma aceleração de fluxos muito forte se a compararmos com 2018, posto que no ano passado as entradas recebidas por estes produtos no conjunto do exercício ficaram nos 5.500 milhões. Em segundo, porque se o ano acabasse assim, esses quase 9.000 milhões captados representavam um novo record histórico, o terceiro consecutivo.

Além disso, segundo uma investigação de Fitch Ratings publicada no Financial Times, os fundos de mercado monetário que seguem critérios ESG aumentaram 15% os seus ativos no primeiro semestre de 2019, até aos milhares de milhões de dólares, depois de ter crescido unicamente 1% em 2018. “Em relação ao conjunto do mercado monetário, cujo tamanho ascende a seis biliões de dólares, estes são número ainda pequenos, mas que esperamos que cresçam”, assinala Philip Kalus, CEO da Accelerando Associates.

Torna-se interessante, por exemplo, comparar o sucedido no último trimestre de 2018 e o primeiro de 2019 enquanto a evolução de fluxos em direção a fundos ISR, comparando-o com os fluxos em direção a outras categorias (fonte da tabela: Broadridge).

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Kalus recorda que onde se está a levar mais a sério o ISR é na Europa continental. Prova-o, por exemplo, a cobertura realizada pela MSCI através do MSCI ESG Research, no qual a empresa avalia 32.000 fundos e ETF tanto de ações como de obrigações. Cada produto obtém uma classificação numa escala que vai de AAA (a nota máxima) a CCC (a mais baixa). “Curiosamente, a maioria dos fundos com melhor rating estão domiciliados na Europa, enquanto os britânicos ficam atrás. Concretamente, na Europa há 130 fundos com AAA, enquanto que no Reino Unido só sete”, explica.

Não obstante, tal como indica Kalus, a marca e a publicidade das gestoras de ativos em relação ao ESG persistem em todo os lados. “Questionamos estas iniciativas porque, literalmente, todas carecem de distinção e valor agregado. Toda a indústria se está a mover em direção a um mundo onde a integração do ESG será uma questão rotineira para que todos os fundos sejam considerados por selecionadores e os participantes como produtos ESG. A distinção só pode derivar do rigor da integração e dos respetivos relatórios da pegada do ESG”, conclui o especialista.

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