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A dívida pública alemã é um “bem de luxo”


A vida está boa para os emitentes, principalmente para o governo alemão que se dá ao luxo de pedir dinheiro emprestado e não pagar juros, pelo contrário, os investidores pagam para ter esse “bem de luxo”.

Quando olhamos para as yields da dívida alemã: -0,75% nas obrigações a 2 anos, -0,66% nas obrigações a 5 anos e -0,32% nas obrigações a 10 anos, a primeira questão que me vem à cabeça é a seguinte: mas, está tudo louco?

Se juntarmos a Suíça, a Holanda e até a França neste enquadramento, a questão ainda ganha mais contornos de “loucura”. E quando vemos a yield das obrigações a 10 anos de Portugal que há pouco tempo deixou de ser “lixo” nos 0,49%, então é caso para dizer, a bolha da dívida pública está a bater à porta.

Claro que esta situação tem um lado positivo para os emitentes: quanto mais baixa for a taxa de juro menores são os encargos financeiros e isso tem um efeito positivo ao nível das contas, sejam públicas ou privadas.

Quanto mais baixas forem as yields da dívida pública, menos pressão os orçamentos do Estado terão ao nível dos juros pagos e melhores serão também as condições de financiamento de bancos e de empresas.

Por isso, o Estado português deveria aproveitar melhor esta situação de taxas de juro baixas que não é eterna e tomar medidas com vista a uma diminuição mais acelerada do valor absoluto da dívida pública e do valor relativo face ao PIB para menos de 100% (hoje ainda é superior a 120% do PIB). O Estado tem que aproveitar o enquadramento atual para se tornar mais eficiente em termos operacionais e financeiros e melhorar os serviços públicos que nos últimos anos se deterioraram em diferentes áreas, especialmente na saúde e nos transportes.

Esta situação de taxas de juro baixas é um grande brinde para os emitentes, mas é uma grande fava para os investidores e para a poupança em geral e, consequentemente, para a economia.

A zona euro e a Europa em geral, começam a demonstrar as caraterísticas de uma “japonização”. E essa situação é terrível em termos económicos, como aquela que o Japão viveu durante muitos anos no século passado e no início do presente.

As yields da dívida pública alemã estão negativas, basicamente porque a economia europeia em geral está a atravessar uma situação estrutural de baixo crescimento.

Para 2019, as estimativas do crescimento do PIB da zona euro andam em redor de 1%. Caso a guerra comercial a nível mundial se intensifique, o crescimento económico até poderá ser menor.

A inflação continua baixa. O Banco Central Europeu (BCE) já não tem muitas munições para reativar o crescimento económico. Aliás, aguardemos por quem vai suceder ao atual presidente do BCE. Se for o cidadão alemão de que se fala, as expetativas não são muito animadoras.

Na perspetiva do investimento, esta situação de yields negativas é desastrosa para a poupança em termos de rendibilidade e atratividade. Estar a investir em ativos financeiros quando os preços estão em máximos, normalmente não dá bom resultado.

Na perspetiva de investimento, é necessário ter muita atenção à evolução recente dos preços e das yields da dívida pública. Já vivemos situações destas no passado e os resultados foram complicados de digerir.

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