A confiança dos CEO marca mínimos não vistos desde 2009


Nestas últimas semanas as empresas quer de um lado do Atlântico, quer do outro estão a publicar os seus resultados do último trimestre de 2019 perante o atento olhar dos investidores que cada vez vão dar mais importância às contas no momento de investir.

Ao fim e ao cabo, perante a expectativa de que os grandes bancos centrais mantenham as suas políticas monetárias de antigamente e com um evento como é o da guerra comercial em pausa após o princípio de acordo alcançado entre os EUA e a China, faz falta fixar-nos nos fundamentais das empresas no momento de tratar de discernir as que podem continuar a crescer num contexto adverso como o que enfrentamos.

Mas, além dos resultados que nestas datas estão a apresentar as empresas, além das previsões que geram no curto e no longo prazo com a publicação dos seus planos estratégicos, foi publicado na semana passada um relatório que pode servir como um indicador do clima de negócios e, portanto, da economia mundial. Trata-se do inquérito anual aos CEO que publicou a PwC no qual participaram 3.501 CEO de 83 territórios.

Se fosse preciso descrever com uma palavra os resultados que mostrou o inquérito, essa seria a de pessimismo. Tanto que 52% dos CEO consultados opina que haverá um retrocesso na taxa de crescimento global nos próximos doze meses, uma percentagem que no caso dos CEO norte-americanos escala até aos 63% tornando-os nos mais pessimistas. Além disso, a confiança dos CEO sobre a evolução das suas próprias organizações a curto prazo (12 meses) e o crescimento dos lucros a médio prazo (três anos) é também negativa. A curto prazo, só 27% se mostra confiante e ainda que a médio prazo o número aumente até 37% ambas percentagens são as mais baixas vistas desde o ano 2009, quando estalou a crise financeira.

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Apesar de se tratar de apenas um inquérito, o certo é que olhando para trás, o inquérito mostra uma boa correlação com a evolução da economia nos últimos anos, demonstrando que pode ser um indicador adiantado para tratar de esclarecer o futuro do crescimento mundial.

“Quando realizamos uma análise estatística detalhada das respostas do inquérito que se remonta a 2008, descobrimos que as atitudes dos diretores gerais são bastante precisas para antecipar tanto a direção como a força da economia mundial. Em concreto, a mudança na sua confiança a respeito das perspetivas correlaciona-se fortemente com o crescimento económico mundial real”, afirmam no estudo de PwC. E este gráfico é a prova:

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Com base nos resultados do inquérito, na consultora estimam que, portanto, o crescimento do PIB mundial para este ano poderá situar-se em torno dos 2,4%. Um número muito inferior a 3,3% que contempla o FMI na revisão que publicou há apenas uns dias.

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