A chave para financiar a transição energética


(TRIBUNA de Christine Clet-Messadi, Gestora de Carteira (PM), da Allianz Global Investors. Comentário patrocinado pela Allianz Global Investors.)

As alterações climáticas representam uma séria ameaça à sociedade, e o setor financeiro, com a sua capacidade para alocar capital, pode influenciar as empresas e incentivá-las a adotar políticas que respeitem o ambiente.

A boa notícia é que há cada vez mais capital privado disponível para reduzir essa lacuna no financiamento. O chamado investimento de impacto, que procura atingir objetivos ambientais ou sociais específicos, pode converter-se numa resposta natural a alguns dos desafios descritos nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

O investimento em energias renováveis, por exemplo, está a experimentar um forte auge. 2018 foi o quinto ano consecutivo em que o investimento global em renováveis ultrapassou os 300 mil milhões de dólares (USD). O custo da energia solar e eólica está a diminuir, propiciando a adoção dessas tecnologias. O resultado é que, hoje, produz-se muito mais eletricidade a partir de fontes renováveis do que alguma vez na história.

Os investimentos em fontes de energia renováveis são essenciais para levar a cabo a transição energética global, que vai permitir abandonar os combustíveis fósseis e abraçar as energias limpas. E há uma necessidade óbvia de melhorar a tecnologia para acelerar o ritmo de tal transição. Isso inclui melhorias na eficiência das tecnologias existentes, bem como inovação e investigação (I&D) em novas áreas, e é aí que o financiamento em investigação e desenvolvimento pode ajudar.

A tarifação das emissões de carbono é outra forma de incentivar a mudança no comportamento de empresas e consumidores. Uma tarifação eficiente do carbono pode ajudar a proteger o ambiente e a promover a investigação e o investimento em tecnologia neutra em carbono, além de ajudar as empresas a gerir os riscos associados. Atualmente, 46 governos nacionais e 24 governos regionais contam com programas de tarifação do carbono ou estão a trabalhar na sua implementação. Cerca de 1.400 empresas possuem programas internos de tarifação do carbono, entre as quais mais de 100 incluídas na lista Fortune Global 500. Não obstante, cerca de 80% das emissões globais continuam a não estar abrangidas por um programa de tarifação de carbono.

Em janeiro de 2019, foi constituída a Climate Finance Leadership Initiative (CFLI) a pedido da Secretaria-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo de mobilizar um volume maior de financiamento privado para enfrentar as mudanças climáticas. Este grupo de líderes influentes do setor financeiro é presidido por Michael R. Bloomberg, Enviado Especial para Ação Climática da Secretaria Geral da ONU. Andreas Utermann, CEO da Allianz Global Investors, é um dos membros fundadores da CFLI.

A participação ao mais alto nível na CFLI da Allianz Global Investors complementa o papel ativo que desempenhamos em diversas redes, iniciativas e parcerias colaborativas, como a iniciativa Climate Action 100+, o PRI Infrastructure Advisory Committee da ONU, a Global Impact Investing Network, o Grupo de especialistas técnicos em finanças sustentáveis da União Europeia, o Carbon Disclosure Project, a Climate Bonds Initiative, os Green Bond Principles e o International Integrated Reporting Council, entre outros.

Há mais de 10 anos, fomos pioneiros na introdução do conceito de investimento em tecnologias ecológicas. Desde 2013, investimos ativamente em energias renováveis e, em 2015, lançámos estratégias focadas em títulos e ações verdes que promovem a transição climática.

Um exemplo disso é o nosso fundo Allianz Climate Transition, que investe em ações de empresas europeias que fornecem soluções para o problema das alterações climáticas ou que estão a impulsionar a transição para um modelo energético mais limpo. Com base numa metodologia de análise desenvolvida por nós, somos capazes de identificar as empresas que oferecem as melhores soluções, aquelas que envidam os seus melhores esforços para transitar para modelos mais limpos e as que já oferecem o melhor desempenho climático com o objetivo de construir uma carteira que ajude a financiar a transição energética.

Enquanto gestores ativos, estamos abertos ao desafio e à oportunidade de identificar investimentos adequados no setor de financiamento climático que possam contribuir para influenciar de forma positiva e significativa o ambiente.

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