A chave está no dólar: análise fundamental, avaliação quantitativa e fatores técnicos para saber se a sua força perdurará


O dólar contra-ataca. A nota verde registou uma recuperação poderosa nas últimas semanas causando efeitos muito importantes sobre os mercados financeiros. São muitos os gestores que asseguram que a chave está na evolução que segue a moeda. A grande questão é… a sua força pode perdurar? A J.P. Morgan Asset Management quis responder a esta pergunta fazendo uma tripla análise: fundamental, quantitativa e técnica.

Análise fundamental

Na gestora americana consideram que os recentes dados económicos sugerem que a moderação do início do ano foi mais um abrandamento do dinamismo do que uma reversão das tendências de crescimento, especialmente nos Estados Unidos. “Por exemplo, a confiança do consumidor norte-americano continua a ser sólida e os dados de vendas a retalho mostraram uma melhoria geral em abril. Estes valores robustos não só estão a criar um dinamismo positivo surpreendente no outro lado do Atlântico, como também os nossos próprios modelos de expetativas económicas indicam também que as previsões dos economistas sobre dados futuros estão a tender para uma subida”, explicam.

Em abril, a inflação nos Estados Unidos situou-se nos 2,1% anual, abaixo do esperado, embora o dado subjacente tenha sido mais favorável; a inflação do arrendamento aumentou de forma moderada. Da entidade não esperam que este dado altere os planos da Reserva Federal de subida gradual das taxas de juro, mas não incentiva a adoção de uma política mais agressiva. “Embora mantenhamos, também, a nossa convicção em relação à economia europeia, a divergência entre os dados das duas regiões tornou-se cada vez mais evidente, com consequências para o mercado cambial”, asseguram.

Avaliação quantitativa

Após um início de ano complicado, o índice do dólar norte-americano (uma medida do tipo de alteração média entre esta moeda e outras moedas principais) aumentou significativamente nas últimas semanas, subindo 1,7% durante o mês e mais de 5% desde o seu mínimo anual de fevereiro. Um dos pares de moedas mais observados, o euro/dólar, mostrou uma tendência semelhante: depois de cotar numa gama estreita durante fevereiro e março, o euro perdeu mais de 4% face ao dólar norte-americano desde 31 de março.

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Segundo indicam da J.P. Morgan, parte deste movimento pode atribuir-se aos acontecimentos que afetaram as taxas de juro, uma vez que a rentabilidade das obrigações do Tesouro norte-americano a 10 anos ultrapassou o nível técnico marcante de 3,05% e subiu 69 pontos base durante o ano, em comparação com a rentabilidade das obrigações alemãs a 10 anos, que avançou apenas 18 pontes base no mesmo período.

Fatores técnicos

Os inquéritos sobre o posicionamento dos investidores em dólares norte-americanos estão a apresentar indícios díspares, embora em geral, passou a ser menos curto na sequência da recente força da moeda. “O posicionamento em euros é menos claro: um inquérito indica uma alteração longa ou neutra, enquanto outra sugere que o posicionamento continua a ser tão longo como foi durante a maior parte deste ano. É importante destacar que ainda não vimos indícios de realocação da moeda de reserva, por parte dos gestores, do dólar norte-americano para o euro, algo que esperávamos, uma vez que os Estados Unidos podem estar a abusar da sua condição da moeda de reserva, ao anunciar planos orçamentais significativos”, concluem.

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