A Amundi quer entrar no top 5 mundial: assim o deseja


Já passou um ano desde a fusão entre a Amundi e a Pioneer, e depois de um longo processo de integração, a empresa francesa já está pronta para dar o próximo passo para evoluir o seu negócio, com uma agenda ambiciosa que Yves Perrier, diretor executivo da Amundi, expôs no fórum anual de profissionais do investimento que a gestora em Paris organiza, o Amundi World Investment Forum.

Com 1,45 biliões de euros em ativos sob gestão a nível mundial,  a Amundi é atualmente a única gestora europeia que se encontra no top 10 a nível mundial, segundo dados publicados pelo IPE no seu relatório sobre as 400 gestoras de fundos de maior tamanho do mundo. Yves Perrier especificou que, graças à aquisição de Pioneer, a empresa dispõe, agora, de uma oferta de produto muito mais completa, ao ter acrescentado capacidades de investimento nas obrigações norte-americanas, mercados emergentes e multiativos, e ao ter aumentado as suas capacidades de distribuição, especialmente na Europa e nos EUA.

O diretor executivo destacou particularmente o papel dominante da Amundi na indústria do Velho Continente: “Somos um líder europeu em tamanho, rentabilidade e capitalização de mercado. Somos o número um em França e número dois nos mercados de Itália, Alemanha, Áustria e República Checa”. A empresa também conseguiu fazer crescer as suas capacidades de negócio na Ásia, de forma a apresentar já um volume de 200.000 milhões de dólares, e o objetivo é aumentá-lo para os 300.000 milhões. Mas não é o único objetivo de crescimento.

“Temos um plano ambicioso. Queremos chegar ao top 5 mundial”, afirmava Perrier no Fórum. Como pretende consegui-lo? Através de três linhas chave: “Fornecendo qualidade na nossa experiência de investimento e no serviço ao cliente; mediante o desenvolvimento de estratégias dinâmicas e através do nosso compromisso com o investimento responsável”. “A nossa abordagem é o pensamento a longo prazo, para além das limitações no curto prazo”, acrescentava o diretor executivo.

Desafios do futuro

O representante máximo da Amundi também falou dos diversos desafios que a empresa vai enfrentar para conseguir o seu objetivo nos próximos anos, no âmbito de um contexto de mercado que está a registar mudanças estruturais, como a passagem da hegemonia dos EUA para um mundo que Perrier definiu como “multipolar”, marcado pela influência crescente a nível mundial de países como a China ou a Índia, face à viragem protecionista dos EUA e pelos problemas que os populismos e a necessidade de redefinição de um projeto em comum representam na Europa. “Vivemos num mundo multipolar, no qual o centro de gravidade deslocar-se-á do Ocidente para o Oriente. É um mundo mais fragmentado, com dinâmicas que serão mais difíceis de prever”, declarou o diretor executivo.

Como a Amundi se está a preparar para avançar por este terreno desconhecido? “Apelamos à robustez da Amundi enquanto organização para dar resposta a estes desafios”, continua Perrier. Umas das decisões foi abrir centros nevrálgicos para a empresa em cidades chave do mundo: Paris, Londres, Boston, Dublin, mas também Tóquio ou Hong Kong.

O segundo desafio tem a ver com o facto de os investidores terem de tomar decisões acerca do seu dinheiro num mundo mais endividado do que o anterior à crise financeira de 2008: se a crise começou, paradoxalmente, por um excesso de dívida, que representava cerca de 240% do PIB mundial, atualmente, o endividamento aumentou para os 270% e os países mais afetados são os da esfera desenvolvida. “Este regime não pode durar para sempre, age como uma espada de Dâmocles sobre as valorizações”, afirma o especialista.

A outra perspetiva macro chave da Amundi é que não esperam um regresso agressivo da inflação no longo prazo, mas sim uma queda estrutural da taxa média de inflação como reflexo do impacto deflacionista da tecnologia (com processos como a robotização ou a digitalização da economia), ou o envelhecimento da população mundial. A conclusão geral é que, como resultado destas e outras dinâmicas, as taxas de juro manter-se-ão em níveis baixos, e estando as valorizações onde estão, obrigam os investidores mais do que nunca a diversificarem as suas carteiras.

“A diversificação é a chave, mas não se pode fazer de muitas formas. Pode-se fazer através de ativos tradicionais, embora possa não funcionar em tempos de crise ao alterar as correlações, ou através de ativos alternativos que ofereçam cobertura face à inflação, como o smart beta, o investimento fatorial, a disrupção ou as megatendências. Pensamos que o ISR também é uma das respostas”, especifica Perrier.

Algumas notas sobre sustentabilidade

Este fez uma nota importante sobre o uso de estratégias socialmente responsáveis para diversificar carteiras: “O ISR não é uma estratégia de marketing, faz parte da missão da Amundi e da sua responsabilidade para com a sociedade. Devemos criar valor para os acionistas, mas também para a sociedade em conjunto”, declarou Perrier.

Este acrescentou que a aposta pela sustentabilidade também é ambiciosa dentro dos objetivos da empresa, e provavelmente irá influenciar na sua inovação de produto no futuro: “Não vemos contradições no longo prazo entre o ESG e a rentabilidade financeira, e por isso, acreditamos que a diferenciação entre produtos ESG e não ESG é cada vez menos importante, mas a marca é cada vez mais importante, porque reflete o poder do consumidor para escolher. Por esse motivo, para os investidores, a análise ESG não é algo que agrada ter em carteira, é algo que se está a tornar tão necessário, tão necessário como a análise económica tradicional”, afirmou o diretor executivo.

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