A alavancagem corporativa é preocupante… e faz com que se preveja quedas nas bolsas face às obrigações


As quedas do mercado não pararam nas últimas semanas e os investidores não as encaram como um contexto para caçar oportunidades no mercado. Mais outro mês onde os profissionais da indústria se mantêm cautelosos, segundo revela a última sondagem do Bank of America Merril Lynch. Em dezembro, a maior rotação mensal registou-se para as obrigações.

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Com este novo passo para os ativos defensivos, o Fund Manager Survey aproxima-se de um cenário de “extreme bearishness” (extremamente negativo). Será que significa que a recuperação está aí à porta? Ora, outro indicador que a sondagem destaca complica esta teoria.

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Pela primeira vez desde a crise de 2008-2009, os gestores preferem que as empresas melhorem os seus balanços antes de aumentar o capex ou a retribuição aos seus acionistas. Esta preocupação pela alavancagem corporativa é um indicador antecipado do comportamento das ações face às obrigações:

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Como se verifica no gráfico anterior, há uma correlação entre ambos os fatores. E se se mantiver, é de esperar que a divergência atual acabe. “Isso implica um downside considerável para as ações em relação às obrigações no próximo trimestre”, explicam da empresa.

O sentimento destas semanas contrasta totalmente com os ânimos de apenas há doze meses. A sondagem de dezembro de 2017 retratava uns investidores bullish, longos em bitcoin, nas bolsas globais e na banca, e curtos em obrigações e setores defensivos. Agora, após um ano, os gestores estão bearish, longos em liquidez, em dólar americano e setores defensivos, e curtos em ações globais, tecnologia e industriais.

A saída de capital em ações foi tão grande em 2018 que a alocação de ativos a esta classe está em mínimos de dois anos, como se verifica no gráfico abaixo. Apenas cerca de 16% dos gestores inquiridos afirma estar sobreponderado em bolsa.

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E, ainda assim, a liquidez está apenas nos 4,8%. “Não é suficiente para ativar o indicador contrarian de sinal de compra de ativos de risco”, afirmam do BofAML.

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