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Fundos que investem em equity nacional: para lá do evidente


A bolsa nacional tem vindo a atravessar um longo e complexo período de consolidação de empresas e processos de reestruturação e falência que têm pesado significativamente, tanto na capitalização de mercado das empresas portuguesas cotadas, como no número de empresas que cumprem os critérios de dimensão e volume de transação para a inclusão no índice de referência. No passado mês de junho, na ressaca do Brexit, o índice de referência chegou mesmo a tocar mínimos dos últimos quatro anos abaixo dos 4 700 pontos. Ainda assim, investidores institucionais, como é o caso dos fundos de investimento, continuam a ter um papel fundamental na dinamização das empresas que compõe o índice, mas também na dinâmica do próprio mercado. Números da Morningstar Direct, considerando o universo de produtos registados para venda em Portugal, indicam que, em termos absolutos, o veículo fundos de investimento aloca mais de 1.100 milhões de euros ao mercado acionista nacional. Em termos comparativos, este valor representa cerca de metade do valor transacionado em ações no mercado secundário da Euronext, no mês de junho.

O factor ‘proximidade’

Como já seria de esperar, os fundos nacionais são aqueles que alocam, em termos percentuais, maior exposição líquida a ações nacionais. Os dados da Morningstar Direct de final de maio mostram, evidentemente, que os fundos orientados para o mercado nacional são os que maior exposição percentual apresentam. À cabeça, uma tríade de fundos em destaque, todos geridos pela GNB Gestão de Ativos, e com uma exposição ao mercado acionista português que supera os 80%: o NB Portugal Ações, o NB Poupança Ações e, por fim, o NB Portugal Equity.  A lógica continua a ser a mesma quando se avança na lista de fundos com maior exposição percentual ao mercado acionista português, encontrando-se produtos de casas como a Santander Asset Management , IMGA, Banif Gestão de Activos ou BPI Gestão de Activos, todos eles com um core de investimento no mercado nacional ou ibérico. É assim reconhecido o valor acrescentado que o factor proximidade entre a equipa de gestão de um fundo e as empresas em que investe.  

A meio da tabela, com uma exposição ao mercado nacional que anda na casa dos 30%, vemos produtos que contam com um enfoque de investimento mais difuso... e diverso. Há espaço por exemplo para o Montepio Ações, gerido pela Montepio Gestão de Activos, cujo objetivo de investimento passa por manter uma exposição de 50/50 entre os mercados português e o da Zona Euro.  Da mesma casa gestora, destaque ainda para o Montepio Euro Utilities e o Montepio Euro Telcos, que tal como o nome indica, tratam-se de fundos sectoriais. O primeiro, segundo a informação online disponibilizada pela gestora, investe em empresas que operam no sector das utilities, devendo manter, em permanência, mais de 2/3 dos seus ativos totais investidos nessas mesmas ações. Na carteira disponibilizada online verifica-se que as empresas nacionais em carteira são a REN, a EDP Renováveis, a Galp Energia e os CTT Correios de Portugal. O segundo produto, por seu turno, deve investir em ações de empresas europeias que operem no sector das telecomunicações. O investimento no mercado nacional, segundo as últimas informações da carteira, é protagonizado através do investimento na REN, na NOS SGPS, e na Pharol SGPS. Neste tipo de dados é possível verificar que o factor proximidade – muita vezes pouco favorável em termos práticos para os investidores, por causa da componente emocional – tem alguma primazia na hora de fazer a alocação de ativos de uma carteira.   

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A capacidade dos internacionais

Muito embora os fundos domiciliados em Portugal sejam aqueles que apresentam uma maior exposição líquida percentual ao mercado acionista nacional, a fotografia é outra quando olhamos para a exposição líquida absoluta. Os fundos internacionais ganham uma expressão muito mais significativa, embora por via da sua dimensão significativamente mais elevada que a dos produtos nacionais. Não são fundos especializados no mercado português, pelo que o investimento em títulos nacionais resulta de um processo de alocação geográfica mais abrangente. Adicionalmente, a capitalização de mercado e volume de transações diário são factores que pesam mais, e de forma mais relevante na decisão de investimento, pelo que o conjunto de títulos investíveis em Portugal acaba por ser reduzido. Deste modo, o que observamos em termos gerais, é uma elevada concentração de posições em poucos ativos nacionais.

Logo no primeiro lugar há espaço para um fundo da Schroders que visa investir em ações de empresas que façam parte de países da União Económica e Monetária. O fundo, segundo os dados da Morningstar Direct de maio, investe mais de 120 milhões de euros numa única empresa nacional: a Galp Energia. Não é o único fundo internacional, que investindo em Portugal, concentra essa sua posição num único título nacional. Por exemplo, também o Henderson Gartmore Cont Euro, da Henderson, e o BGF Euro-Markets A2, a cargo da BlackRock, centralizam o investimento na empresa energética integrada nacional, Galp Energia. Também o Parvest Equity Europe Small Cap C C, a cargo da BNP Paribas, por exemplo, opta por alocar quase “a meias” o valor em Portugal, investindo tanto na NOS como nos CTT, aproximadamente 30 milhões de euros.

Contudo, embora os lugares cimeiros desta análise por exposição líquida atribua as maiores medalhas aos fundos estrangeiros, existem fundos com domicílio nacional que também devem ser referidos. É o caso do Santander Acções Portugal FIMA, que dos mais de 88 milhões de euros que tem em ativos sob gestão, expõe ao mercado acionista português cerca de 73 milhões de euros. 

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