4Factor: o caminho para a outperformance


As teorias das finanças comportamentais estão a ser cada vez mais envolvidas nos processos de gestão de fundos e de investimentos em geral. O reconhecimento de que enviesamentos emocionais e cognitivos podem afetar significativamente os resultados de um gestor faz com que métodos que possibilitam contornar esses desvios na seleção de ativos e execução dos processos de investimento se revelem cruciais. A Investec Asset Management é um exemplo de uma entidade que leva a sério isso mesmo e Ken Hsia, gestor do Investec GSF European Equity Fund, em Portugal para o primeiro evento Investec Global Insights, falou à Funds People da ferramenta que utilizam para esse efeito: 4FactorTM.

“A ferramenta 4FactorTM é parte integrante da nossa filosofia de investimento. É muito comum a ideia de que, na gestão de investimentos, se se aprender tudo o que for possível sobre uma empresa o resultado é uma outperformance. Evidentemente não tem sido esse o caso. A nossa filosofia passa obviamente por conhecer as empresas, mas tem como objetivo central evitar os erros comportamentais, especialmente o típico ‘comprar caro e vender barato’”, comenta o gestor. Contudo, para Ken Hsia as finanças comportamentais são importantes para perceber o como e porquê de se cometerem erros, mas não como não os cometer.

“Para sermos capazes de superar o benchmark de forma sustentável ao longo do tempo, acreditamos que necessitamos de um processo de investimento bem construído e suportado em evidências. É aqui que o 4FactorTM entra em prática”, explica. Os quatro fatores que o compõem são: estratégia (ou qualidade); valor; evolução dos resultados e factores técnicos. “São, portanto, dois fatores tradicionais e dois fatores momentum. O que o modelo nos permite é identificar empresas de elevada qualidade – com um elevado ou crescente ‘return on capital’ – e, ao mesmo tempo, que estejam avaliadas atrativamente pelo mercado. Já os factores momentum, por outro lado, permitem-nos executar as entradas e saídas de forma mais eficaz”, refere o gestor da Investec. Porém, os quatro fatores não se esgotam nas posições individuais e são expandidos à construção dos portefólios. “Temos um mecanismo de ‘self-checking’ que certifica que os casos de investimento se mantêm nos portefólios e que assegura a sua integridade”.

Transversalmente a todo o processo, a empresa não deixa de parte os fatores ESG (environmental, social e governance).  “Pagamos em média 14 ou 15 vezes os resultados por uma ação e queremos garantir que o negócio da empresa é sustentável no longo prazo, ou seja, pelo menos 15 anos. E a única forma de o saber é garantindo que a administração das empresas está a prestar atenção a todos os ‘stakeholders’. Os factores ESG são muito importantes para assegurar essa sustentabilidade”, explica Ken Hsia.

Três características

O gestor acredita que do processo 4FactorTM surgem carteiras de investimento com três características. “Primeiramente são agnósticas relativamente ao benchmark. Usamos o benchmark para medir o nosso risco e performance, mas a alocação resulta inteiramente do processo 4FactorTM. Em segundo lugar, as nossas carteiras são agnósticas relativamente ao estilo. Seja o value ou o growth a impulsionar o mercado, não queremos saber. Na verdade a própria definição de value é diferente na nossa perspectiva. Muita gente poderá dizer que este estilo tem ficado aquém da performance do growth. Contudo, do nosso processo resulta uma combinação de valor com potencial de crescimento. Ou seja, quando uma ação está barata e vemos os resultados a inflectir, o mercado acaba por reconhecer o valor. Evitamos assim as armadilhas de valor”, esclarece o especialista.

Por fim, os portefólios são agnósticos relativamente à capitalização de mercado. “Temos atualmente entre 30 a 40% em ações de pequena e média capitalização de mercado. O índice tem 85% em large-caps, 15% em empresas de média capitalização e nada em pequenas empresas. Estamos, portanto, bastante sobreponderados, porque investimos nas melhores ideias independentemente da capitalização de mercado”, conclui Kan Hsia.

Notícias relacionadas

O Mais Lido