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2019 foi um ano de inflexão dos fundos europeus ISR: o seu crescimento disparou 58%


O investimento socialmente responsável tornou-se num autêntico mainstream para as gestoras de fundos. Um dos últimos exemplos foi a carta de Larry Fink, presidente da BlackRock, enviada aos investidores a defender o ISR e que informava sobre o compromisso da gestora em integrar critérios ESG na totalidade das suas carteiras no mesmo deste ano. Um objetivo que também outras gestoras tinham destacado no passado como a Amundi, que marca o mesmo objetivo para todas as suas carteiras no ano 2021, a BNP Paribas AM e a Schroders, que contemplam a integração destes critérios em todos os seus processos de investimento neste ano de 2020 entre muitas outras.

O facto de que o ISR já se tornou num dos assuntos principais das agendas das gestoras de fundos convida a pensar que os ativos sob gestão em fundos socialmente responsáveis continuarão a subir nos próximos anos. Além de um aumento da oferta é previsível que se comece a ver também um aumento da procura à medida que a Comissão Europeia vá afinando a taxonomia que permita diferenciar entre produtos que são realmente sustentáveis de outros marcados no que se denominou greenwashing.

Atualmente, a julgar pelos dados de publicar a Morningstar, no ano de 2019 já se viu um ponto de inflexão neste sentido no mercado europeu, que é, além disso o  que concentra a maior parte do investimento ISR no mundo (50% do total, segundo os dados da Global Sustainable Alliance).

Em concreto, no seu relatório European Sustainable Fund Flows: A Record-Shattering Year, a Morningstar marca nos 668.999 milhões de euros os ativos geridos em fundos europeus socialmente responsáveis, o que implica um crescimento de 58% face ao ano de 2018 e supera o aumento de património de 18% que tiveram no mesmo período os ativos em fundos tradicionais.

Além disso, grande parte desse crescimento corresponde ao impulso que se está a dar a esta megatendência por parte dos fundos passivos (indexados e ETF) que já concentram 21% do universo de fundos sustentáveis, face aos 14% que representavam há cinco anos.

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Neste espetacular ano não só influenciou o bom comportamento do qual desfrutaram grande parte dos ativos, mas também os novos fluxos que recebera, este tipo de estratégias. “Impulsionado pelo crescente interesse dos investidores nas questões ambientais, sociais e de governance e por um contexto regulatório favorável, o universo dos fundos sustentáveis europeus atraiu entradas recorde de 120.000 milhões de euros em 2019, impulsionado pelas entradas recorde de 47.300 milhões de euros no quarto trimestre”, afirmam na Morningstar, ficando 19% dessas entradas de dinheiro que se viram no último trimestre do ano em mãos de fundos de gestão passiva.

O crescimento de património e de fluxos também encontrou a sua réplica no que diz respeito à nova oferta de produtos. Só em 2019 foram lançados 360 novos produtos, 21 a mais do que em 2018, 105 no último trimestre do ano, com estratégias sobretudo de best in class ou critérios de exclusão. Além disso, essa oferta de produtos ISR em crescimento não só corresponde a novos produtos, mas também a outros antigos que optaram por redefinir as suas estratégias incluindo critérios ESG.

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