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2019: as complicações aumentam em ano de eleições


Em ano de eleições é, normalmente, aborrecido para um governo deparar-se com sucessivas revisões em baixa do PIB e da redução das expetativas por parte dos agentes económicos em geral. Já não bastavam as múltiplas greves (mais do que no tempo da Troika), os graves problemas em diversos serviços públicos (saúde, educação, transportes) e o crescimento da dívida pública em valor absoluto, vem agora a menor dinâmica económica!... Lá se vai acabar o “irritante otimismo”!

Porém, contra factos não há argumentos e depois do FMI, foi a Comissão Europeia (CE) a reduzir, e de forma até mais drástica, as projeções económicas para 2019.

Para a zona euro, a CE estima um crescimento de 1,3% este ano, quando em novembro de 2018 estimou 1,9%, ou seja, reduziu a previsão em 0,6%, uma redução bastante significativa.

A razão tem a ver com a evolução das maiores economias, especialmente a Alemanha que está à beira de uma recessão, devido aos efeitos negativos da guerra comercial. O PIB alemão em 2019 deverá ter um crescimento de 1,1% segundo a CE (1,8% previstos em novembro de 2018).

A Itália é o país que sofre a maior redução de crescimento do PIB entre novembro de 2018 e fevereiro de 2019: passou de uma previsão de 1,2% para 0,2%.

Por sua vez, a França deverá crescer este ano 1,3% (antes, a CE estimava 1,6%), enquanto que a Espanha deverá evoluir 2,1% (2,2% anteriormente).

O PIB português vai crescer 1,7% (1,8% estimados anteriormente). Tendo em atenção a revisão em baixa do crescimento do PIB dos principais parceiros comerciais do país, penso que 1,5% de crescimento do PIB em 2019 será uma estimativa mais razoável.

As economias da zona euro mais dinâmicas deverão ser Malta (5,2%), Irlanda (4,1%), Chipre (3,3%), Letónia (3,1%), Eslovénia (3,1%) e Estónia (2,7%).

Esta menor dinâmica económica na Europa apenas tem um lado positivo que é uma menor inflação, prevista em 1,4% em 2019 (1,8% estimada anteriormente). Provavelmente, o início da subida das taxas de juro será diferido no tempo.

Em ano de eleições europeias e nacionais, estas não são as notícias que um governo gosta. Esta legislatura beneficiou de um quadro económico muito favorável, especialmente nos anos de 2016 a 2018 e que teria possibilitado levar a cabo mais reformas estruturais e termos um excedente orçamental, o que não aconteceu infelizmente.

Caso esta desaceleração económica se confirme e acentue, a próxima legislatura não será fácil. O défice público, a dívida pública, o desemprego, o investimento e as exportações não vão ter nesse cenário, o mesmo comportamento que tiveram nos últimos 2 anos e o clima social poderá agravar-se.

Mas, pode ser que os EUA e a China celebrem um bom acordo comercial e que a confiança dos agentes económicos comece a melhorar a partir do segundo trimestre do ano e, com isso, as expectativas possam ser gradualmente mais positivas.

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